O senador Izalci Lucas (PL-DF) mantém firme seu propósito de disputar o governo do Distrito Federal, mesmo diante de um cenário em que seu próprio partido, o Partido Liberal (PL), liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, parece ter priorizado outras alianças. A movimentação interna da legenda, que teria articulado uma chapa com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a vice-governadora do DF, Celina Leão (PP), pegou o senador de surpresa e o impulsiona a buscar novos caminhos políticos para concretizar sua aspiração ao Palácio do Buriti.
O Sonho Buriti e o Impasse com o Partido Liberal
Izalci Lucas expressa de forma inequívoca seu desinteresse por uma nova candidatura ao Legislativo, seja no Senado ou na Câmara dos Deputados. Com um mandato no Senado que se estende até 2027, o parlamentar rejeita a ideia da reeleição e afirma que seu foco exclusivo é o cargo executivo. Ele manifesta ter sido surpreendido pelos colegas de partido ao tomar conhecimento da aliança firmada entre Michelle Bolsonaro e Celina Leão, um movimento que o colocaria em uma posição desfavorável no tabuleiro eleitoral. Apesar do impasse, uma pesquisa interna do PL, segundo o senador, indicaria quase 80% de apoio dos filiados à sua candidatura majoritária para o governo do DF.
As Projeções do PL para o Distrito Federal
Fontes próximas ao Partido Liberal indicam uma provável configuração da chapa para as eleições de outubro no DF: a vice-governadora Celina Leão seria a postulante ao governo, enquanto a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ocupariam as vagas ao Senado. Esta organização partidária, que efetivamente deixaria Izalci sem espaço para sua ambição executiva, teria gerado descontentamento no senador, impulsionando-o a explorar outras siglas.
Questionamentos sobre a Solidez das Candidaturas Atuais
Ainda que negue um racha interno no PL, Izalci Lucas levanta sérias dúvidas sobre a sustentabilidade das candidaturas de Ibaneis Rocha (MDB) e Celina Leão. Ele questiona a viabilidade de Celina, aliada a Michelle, abandonar o atual governador Ibaneis Rocha – e seu vice, Gustavo Rocha – para firmar uma nova coligação. Além disso, o senador aponta para a incerteza jurídica que paira sobre a candidatura de Ibaneis, mencionando a possibilidade de prisão ou de ter que responder no STJ, e cita a repercussão negativa do rombo no BRB, que, em sua análise, fragiliza a percepção pública e as chances eleitorais tanto de Ibaneis quanto de Celina. Para Izalci, o cenário para essas candidaturas está “no telhado”.
Em Busca de Alternativas Partidárias
Frente à complexidade do quadro, Izalci Lucas agendou uma reunião decisiva para os próximos 15 dias com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e com o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à presidência. Neste encontro, ele espera definir seu futuro político dentro da legenda. Contudo, o senador é enfático: se o PL não apoiar seu projeto para o Executivo, ele buscará uma nova alternativa partidária, reforçando sua determinação em não retroceder para uma disputa legislativa e mantendo-se focado em sua meta de governar o Distrito Federal.
Apesar das reviravoltas no seu partido atual, o senador demonstra que seu projeto político para o Palácio do Buriti é inegociável, e sua disposição em explorar novas siglas sublinha a fluidez do cenário eleitoral no Distrito Federal, que promete novas configurações e debates intensos até as eleições.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br