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Reforma Trabalhista de Milei Retorna ao Senado Após Aprovação com Alterações Cruciais na Câmara Argentina

G1

Em um dos momentos mais decisivos para o governo do presidente Javier Milei desde sua posse em dezembro de 2023, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, com significativas modificações, a ambiciosa reforma trabalhista. O texto, que integra um pacote de medidas voltadas para a estabilização macroeconômica e o estímulo ao investimento, agora deve retornar ao Senado, onde já havia recebido aprovação preliminar na última quinta-feira. A necessidade de uma nova análise pela casa alta decorre da retirada de um tópico polêmico que previa a redução de 50% no salário de trabalhadores em casos de acidentes ocorridos fora do ambiente de trabalho. A proposta, vista como a mais abrangente modernização da legislação laboral argentina desde a redemocratização, visa flexibilizar regras, diminuir custos para empregadores e impulsionar a criação de empregos formais. Contudo, críticos alertam para o potencial de fragilizar as relações de trabalho, aumentar a insegurança no emprego e enfraquecer o poder sindical, especialmente entre categorias menos qualificadas, enquanto a expectativa é de que o texto final seja aprovado até 1º de março.

Tramitação na Câmara e a Reversão para o Senado

A aprovação da reforma na Câmara dos Deputados marca um avanço importante para o governo Milei, que conseguiu angariar o apoio necessário para fazer passar um de seus pilares legislativos. Contudo, o caminho não se encerra aqui. A alteração mais notável, a exclusão da cláusula sobre a redução salarial em acidentes extralaborais, foi um ponto crucial de negociação que permitiu o consenso na Câmara. Esta mudança exige que o projeto seja submetido novamente à apreciação do Senado, que terá a prerrogativa de aceitar as modificações propostas pela Câmara ou insistir em sua versão original. O processo reflete as complexas dinâmicas do legislativo argentino e a intensidade das discussões em torno de uma pauta com profundo impacto social e econômico no país.

Debates Ardentes e Manobras Parlamentares

A sessão na Câmara, que teve início às 14h após solicitação do presidente da Casa, Martín Menem, foi palco de intensos debates e momentos de alta tensão. O plenário foi caracterizado por um ambiente de confusão e troca de provocações entre os parlamentares. Germán Martínez, chefe do bloco União pela Pátria, um dos partidos de oposição, criticou abertamente a condução dos trabalhos, chegando a interpelar o presidente Menem com a frase “Cresça, Sr. Presidente” e advertindo que os parlamentares “vão se arrepender” de suas decisões. No decorrer da noite, a deputada Marcela Mango, também da União pela Pátria, tentou, sem sucesso, uma questão de ordem para que o projeto retornasse à comissão. Em resposta, Silvana Myriam Giudici solicitou uma moção para que a votação ocorresse em meia hora, proposta que foi acatada e acelerou o desfecho da matéria na Câmara.

A Aprovação Prévia no Senado e os Protestos Massivos

Antes de chegar à Câmara, a reforma já havia superado um obstáculo significativo no Senado, sendo aprovada na madrugada da última quinta-feira com 42 votos favoráveis contra 30, em uma sessão igualmente marcada pela polarização. Este avanço legislativo foi antecedido e acompanhado por uma forte mobilização popular. No dia anterior à votação no Senado, milhares de manifestantes se reuniram em frente ao Congresso, em Buenos Aires, para expressar sua oposição veemente à proposta do governo. Os protestos escalaram para confrontos com a polícia, resultando em cerca de 30 detenções, conforme informações da agência France Presse. Diante da expectativa de novos protestos, o Ministério da Segurança anunciou medidas extraordinárias para a imprensa, alertando para potenciais situações de risco e estabelecendo uma “zona exclusiva” para cobertura jornalística em ruas adjacentes à praça em frente ao Parlamento, visando garantir a segurança dos profissionais e evitar conflitos diretos.

Principais Alterações na Legislação Trabalhista Propostas

A reforma trabalhista de Javier Milei busca promover uma ampla reestruturação nas normas laborais da Argentina. O texto aprovado, que incluiu cerca de 30 alterações negociadas com parlamentares, abrange pontos cruciais como a flexibilização das férias, que poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do período tradicional (geralmente de 1º de outubro a 30 de abril). Além disso, a proposta restringe greves em setores considerados essenciais, exigindo um mínimo de prestação de serviço entre 50% e 75%, o que limita o poder de paralisação dos sindicatos. Outra mudança significativa é a ampliação do período de experiência, que pode se estender de seis para até oito ou doze meses em certos casos, com indenizações reduzidas. A jornada de trabalho também passará por flexibilização, permitindo que seja estendida de oito para até doze horas diárias, desde que o descanso mínimo seja respeitado, viabilizando a compensação conforme a demanda sem a necessidade de pagamento de horas extras. O projeto também modifica as negociações coletivas, permitindo acordos diretos entre empresas e sindicatos locais em detrimento das convenções nacionais, e altera as regras de indenização e demissão, com redução no cálculo e a possibilidade de pagamento parcelado. Por fim, para combater a informalidade, a reforma prevê a eliminação de multas por falta de registro trabalhista.

Com a reforma agora em rota de retorno ao Senado, o governo Milei enfrenta o desafio de garantir a aprovação final de um de seus mais ambiciosos projetos. A intensa disputa parlamentar e a forte oposição social evidenciam a profundidade das transformações propostas e a divisão de opiniões sobre o futuro do mercado de trabalho argentino. A capacidade do executivo de consolidar o apoio necessário na casa alta será crucial para a concretização de suas metas de estabilização econômica e estímulo ao investimento, enquanto o país observa atentamente os próximos capítulos dessa reforma histórica.

Fonte: https://g1.globo.com

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