O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, está em compasso de espera por uma nova convocação da Polícia Federal (PF) para prestar depoimento. O executivo, por meio de sua defesa, busca fornecer esclarecimentos adicionais no âmbito do inquérito que apura um complexo esquema de fraudes financeiras envolvendo a instituição pública e o Banco Master.
Pedido de Oitiva e Acareação no STF
A solicitação para o agendamento da oitiva de Costa foi formalizada junto à delegada federal Janaína Palazzo em 30 de dezembro de 2025. Esta data marca um ponto crucial no processo, pois foi no mesmo dia que o ex-presidente do BRB e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram submetidos a uma acareação no Supremo Tribunal Federal (STF).
A acareação é um procedimento investigativo essencial, determinado, na ocasião, pelo ministro Dias Toffoli – então relator do inquérito – com o objetivo de confrontar diferentes versões de fatos sob investigação. Atualmente, a relatoria do processo no STF está sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, após Toffoli deixar a função.
O Escopo da Operação Compliance Zero
A investigação que permeia o caso de Paulo Henrique Costa tem suas raízes na Operação Compliance Zero. Deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, a operação visa desvendar supostas irregularidades na concessão de créditos falsos pelo Banco Master. Dentre os focos da apuração, destaca-se a tentativa de compra de ativos do banco de Daniel Vorcaro pelo BRB, uma instituição financeira pública vinculada ao governo do Distrito Federal.
As diligências realizadas até o momento pela PF sugerem que as fraudes em questão podem atingir um montante expressivo, estimado em R$ 17 bilhões, evidenciando a grandiosidade e a complexidade do esquema sob análise.
Posicionamento da Defesa e Expectativa da PF
O advogado Cleber Lopes, responsável pela defesa de Paulo Henrique Costa, esclareceu que o pedido de novo depoimento visa unicamente a elucidação de eventuais contradições surgidas durante a acareação, e que a delegada responsável concordou com a necessidade de um depoimento complementar. Lopes enfatizou, em nota divulgada, que a defesa aguarda apenas a definição da data pela autoridade policial.
Adicionalmente, a defesa de Costa negou categoricamente as especulações de que o ex-presidente do BRB estaria considerando fazer um acordo de colaboração premiada com a Justiça. Segundo Lopes, tais hipóteses não passam de boatos infundados. Questionada pela reportagem sobre o agendamento, a Polícia Federal optou por não se manifestar até o momento, mantendo a expectativa sobre os próximos passos da investigação.