As vendas de moradias na China em valor registraram uma queda de 13,7% entre janeiro e setembro deste ano, quando comparadas ao mesmo período do ano anterior. Os dados oficiais foram divulgados pelo NBS (Escritório Nacional de Estatísticas) e revelam que o setor imobiliário do país continua enfrentando sérios desafios, mesmo diante de sucessivas medidas de incentivo adotadas pelo governo central em Pequim.
O resultado negativo ampliou o ritmo de retração econômica em relação ao acumulado entre janeiro e agosto, período em que as transações imobiliárias haviam apresentado recuo de 13,1% na base de comparação anual. A aceleração da baixa demonstra que as políticas de estímulo econômico ainda não conseguiram reverter totalmente a desconfiança dos compradores e a crise de liquidez que afeta as construtoras locais.
Aprofundamento na crise dos investimentos imobiliários
No setor produtivo e de novos projetos, os números também apontam para um cenário desfavorável. Os investimentos no setor imobiliário caíram 20,6% nos primeiros nove meses do ano, aprofundando o tombo em relação ao recuo de 19,9% observado no intervalo acumulado até agosto.
Paralelamente, as construções iniciadas pelas incorporadoras recuaram 24,9% ao longo dos três primeiros trimestres. O índice apresentou uma leve piora na margem quando comparado à baixa de 24,8% registrada no balanço anterior, indicando que o ritmo de novos canteiros de obras permanece estagnado e sem perspectivas imediatas de recuperação robusta.
Sinais mistos e o comportamento dos preços
Apesar da forte contração no volume de vendas e nos investimentos, o mercado imobiliário chinês apresentou um movimento distinto no comportamento dos preços. Segundo os indicadores oficiais divulgados pelo governo, os preços dos imóveis desaceleraram a queda no mês passado, sugerindo algum nível de estabilização pontual nos centros urbanos monitorados.
Analistas econômicos acompanham de perto esses desdobramentos para avaliar se a desaceleração na desvalorização dos ativos pode funcionar como um piso para o mercado. Enquanto isso, o governo mantém o monitoramento das contas das grandes incorporadoras e avalia novos instrumentos financeiros para destravar o crédito habitacional e devolver dinamismo a uma das engrenagens mais importantes da economia asiática.
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