Um levantamento divulgado pela Organização das Nações Unidas para la Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) revelou que 189 jornalistas foram assassinados no mundo durante o biênio de 2024 e 2025. O dado representa o maior número de mortes registrado pela entidade desde o período de 2014 e 2015, quando 215 ocorrências foram documentadas globalmente.
O cenário evidencia os riscos enfrentados por profissionais da comunicação em diferentes contextos, desde coberturas de conflitos armados até investigações sobre criminalidade e corrupção. A divulgação traz à tona debates cruciais sobre a segurança no exercício da profissão e a liberdade de imprensa em âmbito internacional e regional.
Zonas de conflito e novas tecnologias de guerra
De acordo com o relatório da instituição, a maior parte das mortes registradas no biênio ocorreu em nações afetadas por confrontos armados. Foram contabilizadas 127 ocorrências em zonas de conflito, o equivalente a 67% do total, representando um crescimento de 24% na comparação com o período anterior.
As estatísticas detalham que o uso de novas tecnologias de ataque também impactou o setor. Cinquenta profissionais perderam a vida em investidas com drones. Além disso, dezenas de mortes ocorreram em bombardeios contra escritórios de veículos de imprensa ou instalações residenciais que abrigavam equipes de reportagem.
Riscos fora de áreas de guerra e investigações
Fora dos cenários bélicos, o relatório mapeou 62 assassinatos, número que marca uma redução em relação a anos anteriores. No entanto, o perfil das ocorrências demonstra que a apuração de temas sensíveis como política, corrupção e atividades criminais coloca os repórteres na mira de grupos violentos e criminosos.
Especialistas da organização destacam que noticiar desvios de conduta e investigações complexas pode ser tão letal quanto atuar diretamente em trincheiras. As mortes atingiram profissionais em suas próprias residências, veículos de trabalho ou durante o expediente em redações, afetando também familiares em casos específicos.
Casos no Brasil e o panorama da impunidade
No cenário nacional, o documento registrou uma ocorrência no país. O episódio envolveu o comunicador Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, morto em Abaetetuba, no Pará. O inquérito policial foi concluído e remetido ao poder judiciário com o indiciamento de suspeitos.
O estudo também aborda a persistência da impunidade em escala global. Desde 2006, mais de 1,6 mil jornalistas foram mortos, mas uma parcela reduzida dos casos teve solução judicial definitiva. A taxa de impunidade global apresentou alta, reforçando os desafios institucionais para proteger o trabalho jornalístico e responsabilizar os mandantes e executores desses crimes.
Continue acompanhando o Canal 1 de Notícias para manter-se informado sobre os principais acontecimentos do Brasil e do mundo, com reportagens aprofundadas, análises contextuais e compromisso permanente com a verdade e a qualidade da informação.
Mais sobre este assunto
População de baleias-jubarte salta de 1,5 mil para 35 mil em três décadas no Brasil
Gabriel Bortoleto ganha posições e volta a pontuar na Fórmula 1 após punições no México
Daniel Erthal vence a Prova de Fogo em “a Fazenda 18” e define os moradores da baia
Bombeiros salvam cinco turistas franceses ilhados no mar de Ubatuba após sumiço em trilha



