O cinegrafista brasileiro Rennan Chaves alcançou o topo da cinematografia mundial de ondas gigantes ao ser eleito o Videographer of the Year (Videógrafo do Ano) no Big Wave Challenge, premiação amplamente reconhecida como o “Oscar” do surfe de ondas grandes. O reconhecimento coroa uma temporada intensa de três meses vividos na Praia do Norte, em Nazaré, Portugal, onde o profissional se dedicou a capturar imagens únicas de um dos fenômenos naturais mais desafiadores do planeta.
A premiação, idealizada por Bill Sharp, uma das figuras mais influentes na história do surfe de ondas grandes, não possui uma categoria fixa para videomakers. O título foi concedido pelo comitê avaliador como uma forma de honrar a excelência técnica e a visão artística de Chaves, que se destacou ao colocar quatro de suas produções entre as finalistas do evento. Além do prêmio principal, o brasileiro foi o responsável pelo registro da maior onda feminina da temporada, surfada pela atleta Michelle des Bouillons.
A estratégia do risco calculado no mar
Para Rennan Chaves, a essência de seu trabalho reside na antecipação e no posicionamento. Em Nazaré, onde centenas de profissionais se aglomeram em busca do melhor ângulo, o brasileiro optou por uma abordagem distinta. Durante a sessão de Michelle des Bouillons, ele se afastou do grupo principal, escolhendo um enquadramento frontal, baixo e distante. A decisão, embora arriscada — já que uma onda anterior poderia bloquear a visão da atleta —, foi o diferencial que permitiu captar a verdadeira dimensão da montanha de água.
“Vai ter um milhão de pessoas filmando essa onda de lateral e de cima, e eu quero uma imagem especial”, explicou o cinegrafista. A escolha técnica, aliada à coragem da surfista, resultou em um registro que se tornou referência na temporada. O trabalho de Chaves é realizado em parceria com Dino do Carmo, da NazareJet, que pilota o jet ski e posiciona o cinegrafista na zona de impacto, enquanto um spotter monitora as séries de ondas do alto para garantir a segurança da operação.
Operação visceral e sem margem para erro
A rotina de Chaves dentro d’água exige um preparo físico e psicológico extremo. Utilizando câmeras com caixas estanques, ele se posiciona exatamente onde a onda quebra, um local onde a margem de erro é praticamente inexistente. O profissional destaca que, ao contrário de produções controladas, o surfe de ondas gigantes não oferece a possibilidade de refazer a cena. Cada registro é único e pode representar o momento mais importante da carreira de um atleta.
Essa conexão visceral com o ambiente é o que move o cinegrafista. Ao estar dentro da água, Chaves consegue acompanhar a descida dos surfistas de perto, vivenciando a força do mar de uma perspectiva que poucos conseguem acessar. Essa proximidade, segundo ele, é fundamental para transmitir ao público a magnitude do que acontece em Nazaré, transformando o registro técnico em uma experiência sensorial para quem assiste.
Raízes no litoral paulista e legado
A trajetória de Rennan Chaves começou muito antes das ondas portuguesas, nas praias de Santos e Guarujá. Influenciado pelo pai e pelo avô, o cinegrafista desenvolveu desde cedo uma ligação profunda com o oceano. Após passar por experiências em produções de moda e videoclipes em São Paulo, ele retornou ao surfe com uma bagagem técnica diferenciada, que ajudou a elevar o patamar da cobertura audiovisual de ondas grandes.
Mesmo com o sucesso internacional, Chaves mantém uma conexão forte com o litoral paulista, onde busca inspiração e realiza seus treinamentos. O prêmio conquistado em Portugal é visto por ele como uma forma de representar a comunidade do surfe brasileiro e a cultura da Baixada Santista. Para acompanhar mais detalhes sobre o cenário do surfe mundial e outras notícias relevantes, continue acompanhando o Canal 1 de Notícias, seu portal de confiança para informações aprofundadas e atualizadas.
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