O município de São João da Barra, no litoral norte fluminense, dá um passo decisivo no enfrentamento de um dos seus maiores desafios ambientais. A partir da próxima terça-feira, 6 de outubro, equipes técnicas iniciam as atividades de campo do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), focado na erosão costeira que afeta as localidades de Atafona e Açu. A iniciativa, que sucede a apresentação do Plano de Trabalho realizada em 24 de setembro, busca fundamentar futuras intervenções com base em dados científicos rigorosos.
Estrutura de diálogo e monitoramento local
Para aproximar a população do trabalho técnico, a prefeitura está instalando a Central da Erosão Atafona e a Central da Erosão Açu. Estes módulos climatizados funcionarão como pontos de referência para os moradores, oferecendo um canal direto para esclarecimento de dúvidas e compartilhamento de relatos sobre os impactos do avanço do mar. O atendimento ao público está programado para ocorrer de terça-feira a sábado, das 10h às 12h e das 13h às 17h.
A participação comunitária é um pilar estratégico do projeto. Além do atendimento nas centrais, o estudo prevê a realização de entrevistas com 211 moradores — sendo 175 em Atafona e 36 no Açu. O objetivo é registrar a percepção local sobre as mudanças na costa e mapear atividades econômicas e de lazer, como a pesca e o turismo, que dependem diretamente da estabilidade do litoral.
Investigação técnica e modelagem da costa
O contrato, com duração prevista de 18 meses, mobiliza 29 profissionais de diversas especialidades. O trabalho de campo será abrangente, incluindo medições de correntes e níveis de água no rio Paraíba do Sul, além de levantamentos batimétricos, análise de sedimentos e monitoramento de ondas. A equipe também avaliará a integridade de dunas, manguezais e a infraestrutura urbana existente.
Segundo a oceanógrafa Clarissa Menin, diretora técnica da SEACaruso Soluções Oceânicas & Energias Renováveis, a complexidade do fenômeno exige uma análise integrada. “Em Atafona, temos registros de recuo crônico desde 1954, com perdas significativas de quarteirões. Precisamos entender como o oceano, o rio e a ocupação humana se relacionam para comparar diferentes cenários de intervenção”, explica a especialista.
Busca por soluções baseadas em evidências
Os dados coletados serão processados através de modelagem matemática avançada, utilizando ferramentas como o software MIKE 21. Esta etapa permitirá simular o comportamento das correntes e testar a eficácia de diversas soluções, que podem variar desde a reposição de areia e recuperação de faixas de praia até a implementação de estruturas rígidas de proteção.
A prefeita Carla Caputi reforçou que o estudo não parte de uma solução pré-concebida. “Precisamos dessa base técnica para tomar decisões responsáveis e, posteriormente, buscar os recursos necessários para as obras que forem indicadas”, afirmou. O projeto segue as diretrizes do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, garantindo que os resultados sirvam como subsídio técnico para a captação de investimentos públicos e mitigação dos riscos climáticos na região.
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