O debate sobre o saneamento básico nas eleições estaduais de 2026 revela um descompasso entre a retórica política e a viabilidade técnica. Um levantamento minucioso realizado pelo Instituto Trata Brasil, que analisou os planos de governo de 62 candidatos com maior viabilidade eleitoral, aponta que apenas 20% deles apresentam propostas consideradas abrangentes para o setor. Embora o tema tenha ganhado visibilidade, a ausência de compromissos quantificáveis coloca em risco o cumprimento das metas nacionais de universalização.
Critérios de avaliação e o cenário das propostas
Para classificar a profundidade das promessas, o instituto utilizou quatro eixos fundamentais: planejamento e regionalização, viabilização de investimentos, governança e regulação, e a definição de metas tangíveis. A análise revelou que, embora todos os candidatos tenham mencionado o saneamento em algum momento de suas diretrizes, a qualidade das propostas varia drasticamente.
A maioria dos planos foi classificada como transversal, totalizando 44 propostas que abordam dois ou três eixos. No entanto, apenas 13 candidatos apresentaram planos que contemplam todos os pilares necessários para uma gestão eficiente. Na outra ponta, cinco propostas foram consideradas superficiais, demonstrando um distanciamento preocupante das necessidades estruturais dos estados.
A lacuna entre o discurso e a execução
Um dos pontos mais críticos levantados pela pesquisa é a desconexão entre a intenção declarada e a estratégia de implementação. Enquanto 87% dos candidatos mencionam a universalização como objetivo, apenas 26% estabelecem metas claras e verificáveis. Essa falta de objetividade dificulta a fiscalização por parte do eleitorado e da sociedade civil após o pleito.
Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, destaca que o saneamento não pode ser tratado apenas como uma promessa genérica. A ausência de foco em regulação técnica e independente, por exemplo, fragiliza a capacidade de cobrar a expansão dos serviços e a eficiência operacional das empresas responsáveis pelo abastecimento de água e coleta de esgoto.
Desafios regionais e a urgência do cronograma
A análise chama a atenção para estados com indicadores críticos de saneamento, como Acre, Maranhão e Amazonas. Nesses locais, a baixa prioridade dada ao tema em planos de governo é vista como um obstáculo severo para o cumprimento dos prazos legais de universalização. Com o cronograma apertado, a falta de um plano estruturado agora pode comprometer o acesso básico de milhões de brasileiros nos próximos anos.
A pauta, embora presente no debate eleitoral, ainda carece de instrumentos de acompanhamento que transformem intenções em obras e melhorias reais. Para o eleitor, a análise dos planos de governo torna-se uma ferramenta essencial para identificar quais candidatos possuem, de fato, um projeto técnico e comprometido com a saúde pública e a dignidade humana.
O Canal 1 de Notícias segue acompanhando de perto os desdobramentos das propostas eleitorais e os impactos das políticas públicas no cotidiano dos brasileiros. Continue conosco para mais análises aprofundadas sobre os temas que definem o futuro do país e as decisões que moldam a nossa realidade.


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