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Após uma década no Amapá, peixe-boi inicia longa jornada rumo à natureza

Peixe-boi Victor Maracá é preparado para soltura na natureza após mais de 10 anos de reabilitação no Amapá em parceria com órgãos ambientais.

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  • Depois de mais de uma década de cuidados, reabilitação e preparação constante para a vida selvagem, o peixe-boi Victor Maracá está mais…
  • Resgatado ainda filhote em 2013, o animal cresceu sob supervisão humana em uma piscina do Centro de Triagem de Animais Silvestres do…
  • Agora, o mamífero inicia uma nova e decisiva etapa rumo à possível soltura definitiva.
Após uma década no Amapá, peixe-boi inicia longa jornada rumo à natureza
1 de 2 Trabalho é realizado pela equipes do Ibama — Foto: Instituto Bicho D’água/Divulgação

Depois de mais de uma década de cuidados, reabilitação e preparação constante para a vida selvagem, o peixe-boi Victor Maracá está mais próximo de retornar ao seu habitat natural. Resgatado ainda filhote em 2013, o animal cresceu sob supervisão humana em uma piscina do Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama, em Macapá, distanciando-se dos grandes rios amazônicos onde deveria ter passado seus primeiros anos de vida.

Agora, o mamífero inicia uma nova e decisiva etapa rumo à possível soltura definitiva. A transferência marca o avanço de um esforço interinstitucional de conservação que busca reintegrar espécimes reabilitados à natureza com segurança e suporte técnico adequado.

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A viagem histórica e a preparação dos animais

Ao lado da fêmea Perpétua, Victor Maracá segue para o Recinto Omar de Aclimatação, localizado em Soure, no arquipélago do Marajó, no Pará. No local, os dois se juntarão à peixe-boi Adria, formando um novo grupo que passará por um processo cuidadoso de readaptação ao ambiente natural antes de qualquer tentativa de soltura livre.

A operação de transferência mobiliza diretamente 54 profissionais de instituições ambientais dos estados do Amapá e do Pará. O transporte exigirá um planejamento logístico rigoroso devido ao peso e ao tamanho dos animais, além da complexidade do trajeto que combina vias terrestres e marítimas ao longo de até 40 horas contínuas.

Esta representa a segunda tentativa de soltura de Victor Maracá. No ano de 2019, o animal chegou a ser transferido para um recinto na Terra Indígena Uaçá, no Amapá, mas a eclosão da pandemia de Covid-19 interrompeu o cronograma, forçando seu retorno a Macapá no período seguinte.

Perfil dos animais e rotina de manejo

Atualmente, Victor Maracá impressiona pelo porte, medindo 2,51 metros e pesando 319 quilos. Considerado um híbrido de segunda geração entre o peixe-boi-marinho e o peixe-boi-da-Amazônia, ele passou praticamente toda a sua existência interagindo com a equipe de cuidadores, destacando-se pelo temperamento dócil e curioso.

Por sua vez, a fêmea Perpétua possui uma trajetória distinta. Ela chegou à Fundação Bioparque da Amazônia em 2020, após ser resgatada com aproximadamente três meses de vida. Com 2,06 metros e 124 quilos, exibe um comportamento mais arisco e demonstra forte preferência alimentar por alface-d’água, nadando frequentemente em círculos sob a observação atenta dos tratadores.

No Pará, ambos encontrarão Adria, uma fêmea de peixe-boi-da-Amazônia também resgatada no Amapá que foi transferida para o Recinto Omar no fim de 2025, tornando-se a pioneira do espaço de aclimatação marajoara.

Logística complexa por terra e mar

A operação de deslocamento exige uma série de etapas coordenadas minuciosamente. Dias antes da partida, Perpétua foi transferida para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) para se unir a Victor e iniciar a preparação logística definitiva.

Na manhã da viagem, as piscinas onde vivem são esvaziadas para permitir que cada animal seja posicionado com segurança sobre macas reforçadas. Cerca de 20 profissionais atuam de forma direta no resgate e no embarque até o porto da Marinha, localizado em Santana.

O trajeto terrestre é realizado com o auxílio de vans climatizadas, onde os peixes-boi viajam deitados sobre colchões mantidos constantemente úmidos. Na sequência, são transferidos para piscinas de fibra instaladas em uma embarcação que realiza a travessia até Soure.

Monitoramento intensivo e perspectivas de soltura

Durante toda a travessia fluvial, estimada entre 30 e 40 horas, uma equipe composta por 18 profissionais reveza turnos para monitorar parâmetros vitais como respiração, comportamento geral e condições de saúde dos animais. A chegada ao destino final está programada para a manhã do dia 9 de novembro.

Após o desembarque, Victor e Perpétua permanecerão sob observação intensiva durante as primeiras 72 horas. Em seguida, continuarão sob a tutela do Ibama e do Instituto Bicho D’água ao longo de toda a fase de aclimatação no recinto marajoara.

A soltura definitiva na natureza ainda não possui uma data fixa estabelecida. O retorno à vida livre dependerá exclusivamente do cumprimento rigoroso de critérios técnicos, sanitários e comportamentais avaliados periodicamente pelos especialistas responsáveis pelo programa.

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