O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, formalizou nesta segunda-feira (28) uma reclamação contundente contra o que classificou como uma “indevida sobreposição de competência” por parte do Supremo Tribunal Federal (STF). Em ofício enviado ao presidente da Corte Suprema, Edson Fachin, o ministro manifestou preocupação com o impacto dessas intervenções na autonomia da Justiça Eleitoral durante o período de pleito.
O atrito institucional foi motivado pela recente decisão do ministro Flávio Dino, que derrubou uma determinação anterior do ministro André Mendonça, do TSE. A medida de Mendonça havia ordenado a remoção de uma postagem do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida, mas Dino reverteu o entendimento, permitindo que o conteúdo fosse mantido nas redes sociais.
Conflito de competências e o juiz natural
No documento, Kassio Nunes Marques argumenta que a prática de reverter decisões da Justiça Eleitoral por meio de decisões monocráticas no STF fere o princípio do juiz natural. Segundo o presidente do TSE, essa dinâmica fragiliza a “unidade de comando” necessária para que o tribunal conduza o processo eleitoral de forma coesa e previsível.
O ministro defende que a atual tramitação de processos no Supremo precisa ser revista para evitar que decisões tomadas no âmbito eleitoral sejam sistematicamente anuladas. “A extensão, por via reclamatória e mediante decisão monocrática, dos efeitos de provimento jurisdicional a publicações não identificadas, altera a arquitetura constitucional da jurisdição eleitoral”, pontuou Nunes Marques. Antes do envio do ofício, o magistrado já havia levado suas preocupações pessoalmente a Edson Fachin em uma reunião privada.
Origem da polêmica nas redes sociais
O caso que desencadeou a crise envolve uma publicação do humorista Antonio Tabet na rede social X. Na postagem, ele utilizou uma imagem religiosa com a legenda: “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. A frase foi uma reação a notícias de que grupos evangélicos ligados à campanha do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), estariam defendendo a destituição da santa como padroeira do Brasil — alegação que o candidato nega categoricamente.
Ao acionar o TSE, a defesa de Flávio Bolsonaro argumentou que o conteúdo era “inverídico” e configurava “discurso de ódio e imputação de crime”. Inicialmente, o ministro André Mendonça acolheu o pedido e determinou a retirada do conteúdo, sob pena de multa diária de R$ 30 mil. A reviravolta ocorreu quando Flávio Dino, acionado pela defesa do humorista, entendeu que a postagem deveria ser preservada, gerando o impasse jurídico que agora escala para um conflito entre as cortes.
Repercussão institucional
O episódio expõe as tensões latentes entre a cúpula do Judiciário e a Justiça Eleitoral em um momento sensível da política nacional. A busca por um equilíbrio entre a liberdade de expressão e o combate à desinformação tem colocado ministros em lados opostos, forçando o STF a arbitrar sobre temas que, originalmente, deveriam ter desfecho final no TSE. A Agência Brasil acompanha os desdobramentos deste embate que promete pautar as próximas sessões plenárias.
O Canal 1 de Notícias segue monitorando os desdobramentos desta crise institucional e as possíveis respostas do STF. Continue acompanhando nossa cobertura completa para entender como as decisões judiciais moldam o cenário político e democrático do país, com a credibilidade e a profundidade que você exige.
Mais sobre este assunto
Macaé intensifica campanha outubro verde com mutirões itinerantes de testagem rápida
São paulo vence o vasco no morumbis e cola no pelotão de cima do brasileirão
Recife usa alto-falantes do carro do ovo para alertar mulheres contra o feminicídio
Protestos na França incendeiam e destroem prédio histórico de 140 anos


