O Ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, anunciou nesta terça-feira (3) a sua renúncia ao cargo. O comunicado oficial ocorreu exatamente uma semana após uma grave colisão entre trens resultar na morte de 69 pessoas na região central do país, gerando intensa comoção nacional e forte pressão política sobre a gestão pública.
O desastre ferroviário representou o terceiro episódio trágico registrado sob a liderança de Puente no mesmo ano. A sequência de falhas e acidentes provocou revolta generalizada entre parlamentares, opositores e cidadãos, que questionaram as condições de segurança na malha ferroviária e a responsabilidade da pasta diante de tragédias consecutivas na infraestrutura de transportes.
Críticas, pressão parlamentar e o peso da tragédia
Durante uma audiência no Congresso Espanhol, o ministro justificou sua saída enfatizando que um representante da pasta em uma nação como a Espanha não pode se manter no cargo após duas ocorrências de tal magnitude em um intervalo inferior a doze meses. Segundo ele, a decisão foi tomada por motivos de dignidade política, coerência institucional e empatia profunda com as vítimas da tragédia.
Além de deixar a chefia do ministério, Puente informou que retiraria sua candidatura ao Congresso dos Deputados pela província de Valladolid. Na região, ele encabeçava a lista eleitoral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), legenda liderada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez. Dias antes do anúncio da saída, durante uma entrevista coletiva, o próprio ministro havia descartado deixar o posto, argumentando que sua prioridade consistia em solucionar a crise e apurar os fatos.
Detalhes da colisão e o histórico recente no setor
O acidente que motivou a crise política ocorreu quando um trem da empresa estatal Renfe colidiu na traseira de outra composição da operadora Iryo, que estava imobilizada nas proximidades da cidade de Urda, na província de Toledo. A colisão aconteceu na linha de alta velocidade que liga Madri a Sevilha, em um momento em que a circulação na área estava paralisada devido a uma falha no sistema de segurança LZB.
O episódio trágico ampliou o escrutínio sobre o governo de Pedro Sánchez e marcou o terceiro incidente fatal nas ferrovias espanholas no período. Em janeiro, uma colisão na província de Córdoba vitimou mais de 40 pessoas, enquanto outro choque nas imediações de Barcelona resultou na morte de um maquinista, fragilizando a confiança pública no sistema de transporte de alta velocidade.
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