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O legado do padre que usou piranhas e tecnologia artesanal para erguer museu no Marajó

Conheça a história do padre Giovanni Gallo, que usou piranhas empalhadas e um computador de madeira para fundar o Museu do Marajó no Pará.

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  • No coração da Ilha do Marajó, no Pará, a trajetória do padre italiano Giovanni Gallo permanece como um dos capítulos mais singulares…
  • Chegado à Vila de Jenipapo na década de 1970, o religioso, integrante da Companhia de Jesus, não se limitou às funções eclesiásticas.
  • Ele compreendeu que, para transformar a realidade local, precisava de recursos que a paróquia, por si só, não possuía.A solução encontrada por…
O legado do padre que usou piranhas e tecnologia artesanal para erguer museu no Marajó
Montagem CNN

No coração da Ilha do Marajó, no Pará, a trajetória do padre italiano Giovanni Gallo permanece como um dos capítulos mais singulares da história cultural e social da região amazônica. Chegado à Vila de Jenipapo na década de 1970, o religioso, integrante da Companhia de Jesus, não se limitou às funções eclesiásticas. Ele compreendeu que, para transformar a realidade local, precisava de recursos que a paróquia, por si só, não possuía.

A solução encontrada por Gallo foi tão inusitada quanto eficiente: a exportação de 12 mil piranhas empalhadas para a Itália. O projeto, que envolveu o treinamento de moradoras da região para o trabalho artesanal de taxidermia, tornou-se a base financeira para a construção de infraestruturas essenciais, incluindo pontes e uma pista de pouso, além de viabilizar a criação do Museu do Marajó, fundado em 1981.

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A inovação do computador caipira na Amazônia

Além do empreendedorismo social, Giovanni Gallo demonstrou uma veia inventiva notável. Em um período em que o acesso à tecnologia digital era inexistente naquelas comunidades, o padre desenvolveu o que ficou conhecido como computador caipira. Trata-se de uma estrutura mecânica complexa, construída inteiramente com madeira, barbantes e manivelas.

O dispositivo não processava dados binários, mas funcionava como uma interface analógica de informação. Ao manipular as manivelas e fios, o visitante conseguia interagir com o acervo do museu, acessando explicações sobre a rica cerâmica marajoara e os costumes locais. O conceito, batizado pelo próprio Gallo como museu em primeira pessoa, buscava retirar o espectador da passividade, transformando a visita em uma experiência pedagógica ativa.

O Museu do Marajó como guardião da memória

Originalmente estabelecido em Santa Cruz do Arari e posteriormente transferido para Cachoeira do Arari, o museu consolidou-se como um repositório fundamental da identidade marajoara. O acervo, composto majoritariamente por doações dos próprios habitantes, reúne centenas de fragmentos e mais de 100 artefatos arqueológicos que narram a história dos povos que habitaram a região muito antes da colonização.

A relevância da instituição vai além da preservação de objetos. Ela representa a união entre a visão humanista de um estrangeiro e o saber ancestral de uma comunidade que, através do esforço coletivo, conseguiu dar visibilidade à sua própria história. O trabalho de Gallo, que atuou no Pará até seu falecimento em 2003, é hoje um símbolo de resistência cultural e criatividade diante das adversidades geográficas e econômicas da Amazônia.

Para entender mais sobre como figuras históricas moldaram o patrimônio cultural brasileiro, continue acompanhando o Canal 1 de Notícias. Nosso compromisso é trazer reportagens aprofundadas, com o contexto necessário para que você compreenda os fatos que definem a nossa sociedade. Saiba mais detalhes sobre a biografia do padre Giovanni Gallo.

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