O Jockey Club de São Paulo firmou um acordo com a prefeitura da capital para quitar uma dívida tributária estimada originalmente em R$ 871 milhões com o pagamento de R$ 228 milhões. Na negociação, houve um desconto de R$ 643 milhões no valor devido. Como contrapartida, a entidade deve construir um parque municipal de 85 mil m² na Cidade Jardim, na Zona Sul, com investimento de R$ 100 milhões e entrega prevista para 1º de outubro de 2028.
O acerto foi formalizado com a assinatura de um termo de cooperação entre a gestão Ricardo Nunes (MDB) e o Jockey. O espaço verde será instalado no interior da pista do hipódromo, área que será cedida ao município para oferecer quadras esportivas, lagos, bosque sensorial, circuito de caminhada, espaços infantis e áreas para animais de estimação, ampliando as opções de lazer na região.
Negociação financeira e apoio bancário
A tratativa envolve o banco BTG Pactual e integra um plano mais amplo de reestruturação da instituição. O planejamento abrange a quitação de débitos, a restauração de bens tombados e a remodelação do hipódromo local. A parceria recebeu aprovação unânimidade dos associados do Jockey em assembleia realizada na Câmara Municipal, envolvendo diretamente órgãos como a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) e a Procuradoria Geral do Município (PGM).
O passivo total da entidade foi apontado pela nova gestão como sendo de R$ 1,3 bilhão, somando obrigações tributárias, trabalhistas e cíveis. O montante de R$ 228 milhões refere-se estritamente à dívida com o município, negociada sob as diretrizes do Programa de Transação Tributária. Para honrar os compromissos, a instituição prevê a comercialização de títulos patrimoniais para gerar liquidez financeira.
Debates e questionamentos na Câmara Municipal
A expressiva redução do débito tributário gerou debates intensos e questionamentos durante os trabalhos de uma comissão parlamentar de inquérito na Câmara Municipal. Parlamentares divergiram sobre os impactos da transação, com críticas direcionadas à diferença entre o valor cobrado inicialmente e o montante acordado, além de dúvidas sobre a capacidade de sustentação financeira do clube por meio de suas atividades tradicionais.
Em contrapartida, dirigentes da instituição argumentaram que parte significativa da cobrança anterior era objeto de contestações judiciais e que os valores refletem a aplicação legal de programas de regularização fiscal. Defensores da medida na esfera legislativa apontaram que o entendimento viabiliza a solução de um impasse histórico e garante a preservação e a continuidade das atividades do complexo na capital paulista.
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