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Excesso de exercício físico altera química do cérebro e afeta a dopamina

Estudo brasileiro revela que exercícios em excesso alteram os níveis de dopamina no cérebro e geram impactos na saúde mental.

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  • A prática de atividades físicas é amplamente recomendada para a manutenção da saúde e do bem-estar, mas levar o corpo ao limite…
  • Um estudo conduzido por cientistas brasileiros revelou que o treino em excesso é capaz de alterar a regulação química do cérebro, provocando…
  • A pesquisa foi desenvolvida no estado de São Paulo por meio de uma parceria entre a USP e a Unicamp.
Excesso de exercício físico altera química do cérebro e afeta a dopamina
Correr ao ar livre pode ser um incentivo a prática do exercício • Alvaro Medina Jurado/Getty Images

A prática de atividades físicas é amplamente recomendada para a manutenção da saúde e do bem-estar, mas levar o corpo ao limite pode ter o efeito oposto no sistema nervoso. Um estudo conduzido por cientistas brasileiros revelou que o treino em excesso é capaz de alterar a regulação química do cérebro, provocando oscilações nos níveis de dopamina no hipocampo, área responsável pela memória e pela regulação das emoções.

A pesquisa foi desenvolvida no estado de São Paulo por meio de uma parceria entre a USP e a Unicamp. O trabalho científico teve Alisson Luiz da Rocha e João Pedro Floriano como primeiros autores e foi publicado em outubro na revista Neuroscience, trazendo novos apontamentos sobre os limites biológicos do esforço físico extremo.

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Impactos na química cerebral e no comportamento

O estudo investigou a sinalização monoaminérgica no hipocampo, focando na dopamina e na serotonina, durante situações de esgotamento físico decorrente de um único treino exaustivo ou de meses de sobrecarga. Os dados obtidos pelos pesquisadores desafiam teorias clássicas da fadiga central, que tradicionalmente atribuíam o esgotamento ao aumento da serotonina ou à diferença entre essa substância e a dopamina.

Nas análises, os níveis de serotonina no hipocampo não sofreram alterações significativas, seja após o exercício agudo ou crônico. As principais respostas neuroquímicas observadas envolveram diretamente a dopamina, demonstrando que o sistema dopaminérgico é o principal afetado quando o organismo é submetido a estresse físico severo e contínuo.

Consequências do sobretreinamento para o organismo

As oscilações na dopamina ajudam a explicar sintomas comuns em atletas e praticantes de atividades intensas que sofrem com o sobretreinamento, como episódios frequentes de insônia, hipervigilância e dificuldade de recuperação. Como o neurotransmissor promove o estado de alerta e vigília no sistema nervoso central, o excesso gera hiperatividade cerebral mesmo durante os períodos de repouso.

Além disso, o cruzamento de dados genéticos indicou que a alta atividade na produção de dopamina está relacionada ao aumento da inflamação cerebral. Nos testes, essa condição esteve associada a comportamentos de maior ansiedade, reações exageradas de pânico diante do estresse e perda de coordenação motora, mostrando que o estado inflamatório constante compromete tanto o rendimento físico quanto a saúde mental.

Protocolos de pesquisa e exaustão física

Para chegar a essas conclusões, a investigação utilizou camundongos machos divididos em dois modelos experimentais principais: um protocolo agudo, focado em exercício até a exaustão, e um protocolo crônico, baseado em treinamento excessivo prolongado. Os animais passaram por períodos de adaptação e testes em esteiras inclinadas para mensurar a potência aeróbia máxima.

No grupo submetido ao esforço agudo, a corrida realizada até a exaustão provocou um aumento imediato nas concentrações de dopamina. No entanto, esse pico veio acompanhado de uma queda na tirosina hidroxilase, enzima essencial para a fabricação do neurotransmissor, indicando que o cérebro perdeu temporariamente a capacidade de repor o estoque esgotado pelo esforço extremo.

Treinamento prolongado e limitações do estudo

Já no protocolo de oito semanas de treinamento excessivo progressivo, os animais apresentaram queda no rendimento físico e um aumento persistente nos níveis de dopamina durante a fase de descanso. Ao contrário do grupo agudo, o treino crônico elevou a expressão da enzima responsável pela síntese do neurotransmissor no repouso, refletindo uma sobrecarga crônica do sistema.

Os autores ressaltam que o trabalho apresenta limitações metodológicas importantes. A medição da dopamina ocorreu no tecido cerebral de forma global, sem detalhar a velocidade exata de uso nas sinapses. Além disso, o uso exclusivo de camundongos machos e a necessidade de validação laboratorial direta para as análises genéticas e inflamatórias indicam que novas pesquisas são fundamentais para ampliar a compreensão do fenômeno.

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