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Crise de moradia em Portugal mobiliza manifestantes em praças

Alta nos preços dos aluguéis e imóveis em Portugal gera onda de protestos, ocupações de praças e debate sobre habitação e custo de vida.

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  • O encarecimento generalizado do custo de vida em Portugal, impulsionado principalmente pela disparada nos preços dos aluguéis e de imóveis para compra,…
  • O movimento começou com a ocupação de uma praça na cidade do Porto, onde dezenas de manifestantes montaram tendas de acampamento para…
  • Dias depois, uma mobilização semelhante tomou forma na Praça do Rossio, um dos pontos turísticos mais tradicionais da capital portuguesa, Lisboa.
Crise de moradia em Portugal mobiliza manifestantes em praças
© Reuters/Pedro Nunes/Proibida reprodução

O encarecimento generalizado do custo de vida em Portugal, impulsionado principalmente pela disparada nos preços dos aluguéis e de imóveis para compra, desencadeou uma forte onda de protestos pelo país. O movimento começou com a ocupação de uma praça na cidade do Porto, onde dezenas de manifestantes montaram tendas de acampamento para chamar a atenção da opinião pública e das autoridades para o esgotamento financeiro das famílias locais.

Dias depois, uma mobilização semelhante tomou forma na Praça do Rossio, um dos pontos turísticos mais tradicionais da capital portuguesa, Lisboa. As chamadas acampadas atraíram olhares de moradores e turistas, mas também provocaram reações enérgicas das forças de segurança, que realizaram operações para desmantelar as estruturas sob a justificativa de ocupação irregular de espaço público.

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A escalada do custo da habitação em Portugal

De acordo com dados divulgados pelo portal Pordata, mantido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o custo da habitação em Portugal disparou 41,5% entre os anos de 2020 e 2025. O índice representou a maior alta registrada em toda a União Europeia no período, superando países como a Grécia. O descompasso entre a renda média da população e os valores cobrados no mercado imobiliário transformou a moradia em um luxo inacessível para grande parte dos trabalhadores.

Um levantamento elaborado pelo Conselho Europeu em parceria com o Deutsche Bank apontou que o aluguel de um imóvel em Lisboa consome em média 116% do salário médio de um habitante da capital. O estudo evidenciou que a cidade se tornou uma exceção preocupante entre dezenas de capitais europeias analisadas, sendo o único local onde o rendimento médio do trabalhador não é suficiente para quitar uma locação residencial básica.

O impacto sobre imigrantes e a comunidade brasileira

A crise habitacional afeta de maneira ainda mais severa os estrangeiros que escolheram o país europeu para recomeçar a vida. A ativista brasileira Priscila Valadão, residente em Portugal há 12 anos, relata que a barreira financeira é agravada por barreiras comportamentais e preconceito no momento da busca por imóveis. Para conseguir arcar com os custos atuais, muitos imigrantes recorrem ao aluguel de quartos em moradias compartilhadas, mesmo em regiões periféricas das grandes cidades.

Segundo dados da Agência para a Integração, Migrações e Aima portuguesa, os brasileiros formam a maior comunidade estrangeira no território, somando quase meio milhão de pessoas. Esse contingente populacional sente diretamente os efeitos da especulação imobiliária, impulsionada por fundos de investimento estrangeiros e pela proliferação de alojamentos de curta duração voltados para o turismo de massa.

Repercussão política e debate sobre novas leis

Enquanto os acampamentos resistem amparados por decisões judiciais recentes, como a autorização emitida pelo Tribunal Administrativo de Lisboa para a permanência na Praça do Rossio, o governo enfrenta pressões crescentes. Manifestantes criticam abertamente as propostas em tramitação no Parlamento que alteram as regras de arrendamento, apontando riscos de facilitação de despejos e de remoção de travas para reajustes contratuais.

Por outro lado, o primeiro-ministro Luís Montenegro defende que o Executivo tem atuado para equilibrar as relações entre senhorios e inquilinos por meio de um pacote robusto de investimentos públicos em habitação. As autoridades apostam na construção de novas residências e na dinamização de imóveis desocupados para tentar aliviar a pressão sobre o mercado imobiliário e responder às demandas sociais que ocupam as praças portuguesas.

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