Ouro Preto, Minas Gerais, foi palco da 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, que encerrou suas atividades consolidando-se como um pilar essencial para o debate sobre a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro. O evento, que iniciou com uma Praça Tiradentes lotada para homenagear a cineasta Helena Solberg e celebrar a rica memória cinematográfica do país, reuniu até a última terça-feira (30) um seleto grupo de pesquisadores, realizadores, educadores, estudantes, arquivistas e gestores culturais. Em meio a uma programação robusta de exibições, encontros e oficinas, a mostra destacou-se por um anúncio de grande relevância para o futuro da salvaguarda audiovisual no Brasil.
Lançamento de Centro de Referência Fortalece Preservação Audiovisual
Entre os pontos altos da CineOP 2024, a apresentação da proposta para a criação de um <b>Centro de Referência em Preservação Audiovisual</b> marcou um avanço estratégico para o setor. A iniciativa, fruto de uma parceria promissora entre o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), foi detalhada pelo reitor do IFRRJ, Thiago Matos Pinto, durante o debate de abertura. Este futuro centro visa fortalecer significativamente a formação profissional na área, expandir a oferta de cursos especializados e estabelecer um espaço permanente dedicado ao ensino, pesquisa e extensão em preservação audiovisual.
Com a expectativa de aprovação pelas instâncias competentes, o projeto prevê uma infraestrutura própria e um orçamento dedicado, elementos cruciais para a qualificação de profissionais em um segmento vital para a manutenção e circulação da memória audiovisual nacional.
A Importância Estratégica da Memória e Identidade Nacional
A edição deste ano da CineOP foi guiada pelo tema potente: “Um País Existe nas Imagens que Preserva”, articulando os eixos de preservação, história e educação. A coordenadora-geral do evento, Raquel Hallak, ressaltou a intrínseca ligação entre a conservação de imagens e a preservação da própria identidade de uma nação. Em seu discurso de abertura, Hallak enfatizou que a perda de um arquivo audiovisual não significa apenas o desaparecimento de um registro, mas a interrupção de uma memória, de uma possibilidade de reconhecimento e, em última instância, de o país se tornar menos visível para si mesmo.
Além disso, a coordenadora argumentou que a preservação transcende a mera guarda de acervos, configurando-se como o ponto de partida para novas formas de acesso, circulação, formação de público e o desenvolvimento contínuo do audiovisual brasileiro, abrindo caminhos para o futuro através do passado.
Homenagens e o Diálogo com Novas Gerações
A abertura da mostra celebrou a trajetória da renomada cineasta Helena Solberg, de 88 anos, que foi agraciada com o Troféu Vila Rica. A homenagem incluiu a exibição de versões restauradas de seus filmes pioneiros, “A Entrevista” e “Meio-Dia”, produzidos nos primórdios da década de 1960, permitindo que o público revisitasse obras fundamentais de sua carreira.
Em paralelo à celebração de ícones, a CineOP dedicou atenção especial à formação de futuras plateias e criadores através do Cine Expressão. Este segmento, voltado para a infância e juventude, engajou estudantes de escolas públicas de Ouro Preto e região em sessões comentadas e atividades pedagógicas. A curadora Ramina El Shadai explicou que o projeto prioriza despertar o interesse e o prazer dos jovens pelo cinema, observando suas reações e potências diante da tela. Após as exibições, são promovidas conversas sobre as emoções e temas suscitados pelos filmes, e as escolas recebem materiais pedagógicos para aprofundar as discussões em sala de aula, fortalecendo um senso de pertencimento cultural que, naturalmente, culmina na formação de público.
Debates e Encontros Nacionais por Políticas de Preservação
Além das projeções cinematográficas e das atividades educacionais, a programação da CineOP foi enriquecida por fóruns e encontros nacionais dedicados à preservação audiovisual, educação e memória. Esses debates reuniram representantes de cinematecas, universidades, instituições públicas e diversos profissionais do setor, configurando um ambiente fértil para a discussão de políticas de preservação, o acesso a acervos e o desenvolvimento de estratégias de formação. O objetivo central desses encontros foi consolidar propostas e direcionamentos que possam fortalecer o patrimônio audiovisual brasileiro e ampliar sua efetiva circulação junto ao público, garantindo que as imagens que formam nossa história continuem a ser vistas e valorizadas.
Todas as atividades da 21ª CineOP foram oferecidas gratuitamente, com parte da programação também disponível online, ampliando o alcance do festival e democratizando o acesso a seus importantes debates e celebrações.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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