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Chuvas no paraná comprometem safra de trigo e elevam déficit para a panificação

Chuvas e doenças reduzem safra de trigo no Paraná, elevando déficit para 1,7 milhão de toneladas e pressionando moinhos.

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  • O excesso de chuvas registrado durante o período de colheita e a incidência de doenças nas plantações agravaram as perspectivas para a…
  • Diante do cenário adverso, o Sinditrigo-PR (Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná) informou que a estimativa inicial de déficit de 1,6…
  • Um novo levantamento do órgão, divulgado posteriormente, trouxe uma avaliação ainda mais pessimista sobre as lavouras que restavam para ser colhidas, apontando…
Chuvas no paraná comprometem safra de trigo e elevam déficit para a panificação
Cadeia do trigo

O excesso de chuvas registrado durante o período de colheita e a incidência de doenças nas plantações agravaram as perspectivas para a safra de trigo no Paraná, reduzindo de forma expressiva a oferta de grãos com qualidade adequada para a panificação. Diante do cenário adverso, o Sinditrigo-PR (Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná) informou que a estimativa inicial de déficit de 1,6 milhão de toneladas entre a produção estadual e o volume processado pelos moinhos subiu para cerca de 1,7 milhão de toneladas.

Em setembro, o Deral (Departamento de Economia Rural do Paraná) já havia reduzido em 10% a estimativa de produção no estado, projetando 2,13 milhões de toneladas. Um novo levantamento do órgão, divulgado posteriormente, trouxe uma avaliação ainda mais pessimista sobre as lavouras que restavam para ser colhidas, apontando que as precipitações frequentes comprometeram a qualidade dos grãos mesmo em áreas com potencial produtivo intermediário e alto.

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impacto na qualidade do trigo e perdas no campo

O boletim conjuntural do Deral detalhou a piora na avaliação das lavouras pendentes de colheita no estado. Dos 182 mil hectares que ainda aguardavam a colheita, 12% foram classificados como ruins, 42% como médios e 46% como bons, demonstrando um recuo considerável em relação a levantamentos anteriores, quando os percentuais de lavouras em boas condições eram significativamente superiores.

Esse panorama afeta diretamente um estado que responde por aproximadamente 30% da produção nacional de farinha de trigo, registrando a moagem de 3,85 milhões de toneladas por safra. A presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli, destacou que a disponibilidade de matéria-prima própria para a panificação tornou-se o principal motivo de alerta para o setor industrial paranaense.

No Norte do Paraná, por exemplo, a produção estimada é de cerca de 750 mil toneladas, mas apenas 400 mil devem atingir o padrão conhecido como trigo Tipo 1, utilizado na fabricação de pães e derivados. No ciclo anterior, a mesma região havia colhido cerca de 900 mil toneladas, com predominância da qualidade exigida pelos moinhos de panificação.

dependência de importações e pressão sobre os custos

Com a quebra na qualidade e a escassez do produto no mercado interno, a indústria prevê uma dependência ainda maior de importações, com destaque para o cereal vindo da Argentina, para suprir as demandas dos moinhos do estado. A situação gera preocupação sobre a estabilidade financeira da cadeia produtiva local.

Segundo a liderança setorial, esse agravamento na oferta pressiona diretamente as margens operacionais dos moinhos, que acabam precisando repassar o encarecimento dos custos para o preço da farinha e, consequentemente, para o consumidor final. Além disso, o setor lida com gargalos logísticos na recepção e no transporte do trigo importado até as diferentes regiões industriais paranaenses.

O Deral apontou que os preços do trigo subiram 5% em setembro em resposta direta à menor oferta interna, mantendo-se estáveis na primeira quinzena de outubro. Embora fatores externos como o câmbio exerçam alguma pressão de baixa, a falta de grãos de alta qualidade sustenta as cotações no curto prazo.

desafios futuros para a segurança do abastecimento

A preocupação das entidades representativas vai além do ciclo atual e alcança a próxima temporada agrícola. A combinação de quebra de safra, perdas qualitativas e as dificuldades enfrentadas pelos agricultores pode desestimular novos plantios, reduzindo ainda mais a área cultivada com trigo no estado nos próximos anos.

Para tentar mitigar essa vulnerabilidade estrutural, o Sinditrigo-PR planeja apresentar propostas ao governo visando fortalecer a política agrícola voltada ao setor. Entre as medidas discutidas estão a criação de um Plano Safra específico para a cultura e a implementação de programas de seguro rural capazes de dar maior previsibilidade e viabilidade econômica aos produtores.

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