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Setor de carne bovina avalia buscar cota própria de exportação para os Estados Unidos

Indústria brasileira de carne bovina discute negociação de cota própria de exportação para o mercado dos Estados Unidos.

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  • A indústria brasileira de carne bovina discute a possibilidade de negociar uma cota própria de exportação para os Estados Unidos, com volume…
  • A ideia, mencionada nos bastidores da 65ª Conferência Anual do MICA (Meat Import Council of America), realizada nesta semana no Arizona, busca…
  • Trata-se de uma alternativa debatida pelo setor em um cenário de transformações no comércio bilateral e de necessidade do país norte-americano em…
Setor de carne bovina avalia buscar cota própria de exportação para os Estados Unidos
Luis Kuthe

A indústria brasileira de carne bovina discute a possibilidade de negociar uma cota própria de exportação para os Estados Unidos, com volume entre 100 mil e 200 mil toneladas por ano. A ideia, mencionada nos bastidores da 65ª Conferência Anual do MICA (Meat Import Council of America), realizada nesta semana no Arizona, busca dar maior previsibilidade ao acesso brasileiro ao mercado americano.

A possibilidade ainda não representa uma proposta oficial apresentada ao governo dos Estados Unidos nem uma negociação formal em andamento. Trata-se de uma alternativa debatida pelo setor em um cenário de transformações no comércio bilateral e de necessidade do país norte-americano em diversificar e ampliar suas fontes de abastecimento.

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Negociações e relações comerciais bilaterais

Durante sua participação em um painel sobre política comercial, na quarta-feira (4), o presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Roberto Perosa, reforçou a importância da relação entre as duas nações. A avaliação apresentada pelo dirigente é que, apesar das tensões tarifárias registradas no último ano, Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação comercial relevante e possuem plenas condições de ampliar essa parceria.

Um dos principais argumentos é a capacidade de a carne brasileira atender a demandas específicas da indústria americana, sobretudo no fornecimento de cortes magros que são aplicados na fabricação de carne moída e hambúrgueres. Atualmente, o Brasil não dispõe de uma cota individualizada de importação no mercado norte-americano, integrando o grupo de fornecedores que compartilham o volume destinado a nações sem reservas específicas.

Contexto de oferta restrita e rebanho reduzido

Do lado americano, a necessidade de ampliar as fontes de abastecimento externa é impulsionada pela situação do rebanho local. Os Estados Unidos iniciaram 2026 com um rebanho de 86,2 milhões de bovinos e bezerros, registrando o menor patamar para o mês de janeiro desde 1951, conforme dados divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

O número de matrizes, estimado em 27,6 milhões de cabeças, também atingiu o nível mais baixo da série histórica. Essa oferta restrita impacta diretamente os preços pagos pelo consumidor final, gerando pressões inflacionárias que ganharam espaço inclusive no debate político durante o governo Trump.

Articulação e busca por previsibilidade

A pauta da carne bovina também contou com a movimentação do governo brasileiro na missão oficial realizada no Arizona. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Augusto Billi, apresentou as perspectivas brasileiras e defendeu maior previsibilidade nas relações comerciais.

As conversas reforçam a importância de consolidar a posição do Brasil como fornecedor complementar e estratégico, capaz de garantir estabilidade para as indústrias de ambos os países em um momento de desafios globais de abastecimento.

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