A disputa eleitoral ganhou um novo capítulo de tensão após a equipe de Flávio Bolsonaro (PL) identificar o que classifica como uma campanha estruturada de desinformação. Segundo o monitoramento da campanha, o influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, conhecido por criar o perfil “Dilma Bolada”, teria sido o responsável pela primeira publicação que associou o candidato à presidência a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A origem da narrativa e o papel das redes sociais
O levantamento realizado pela equipe jurídica de Flávio Bolsonaro aponta que a postagem inicial foi feita às 21h50 de uma quarta-feira (23). No conteúdo, o perfil questionava a fé dos eleitores católicos e atribuía ao candidato a intenção de alterar o status da santa. A campanha argumenta que, devido ao curto intervalo de tempo entre a publicação original e a disseminação em massa, não se trata de um movimento orgânico, mas de uma estratégia coordenada.
O caso ganhou tração rapidamente com o envolvimento de outros perfis, como o usuário @waglegal10, que sugeriu uma suposta pressão interna sobre o candidato. A equipe de Flávio destaca que a narrativa foi potencializada pelo uso de imagens manipuladas por inteligência artificial, visando atingir o eleitorado religioso. Entre os posts de maior alcance, o usuário @vitor_dlucca registrou mais de 2 milhões de visualizações em menos de 24 horas, enquanto @CarlosPortoRJ chegou a citar, falsamente, uma suposta cobertura da GloboNews sobre o tema.
Contexto histórico e a desinformação sobre projetos de lei
A desinformação utilizou como base distorcida um projeto de lei apresentado originalmente em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli. A proposta, que sugeria alterar a terminologia de “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, foi arquivada em 2008 e não possui qualquer ligação com o candidato do PL. O fato de o tema ter sido resgatado e atribuído a Flávio Bolsonaro é visto pela sua defesa como uma tentativa deliberada de manipular o debate público.
Repercussão jurídica e o histórico do influenciador
Diante do cenário, a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro protocolou uma notícia-crime junto ao procurador-geral eleitoral contra os responsáveis pelos perfis envolvidos. O influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, figura central na denúncia, é conhecido por sua atuação digital desde o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff. Em 2014, ele chegou a ser recebido no Palácio da Alvorada e, em 2015, prestou depoimento em uma CPI na Câmara dos Deputados sobre crimes cibernéticos.
Mais recentemente, em 2023, Jeferson ocupou um cargo comissionado na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), sendo desligado meses depois após uma viagem considerada indevida. A campanha de Flávio reforça que o influenciador mantém um histórico de críticas contundentes ao candidato, utilizando frequentemente temas religiosos para pautar suas publicações. O candidato, por sua vez, tem utilizado suas redes e atos públicos para negar categoricamente qualquer intenção de alterar o título da padroeira, buscando conter o desgaste causado pela circulação da informação falsa.
O Canal 1 de Notícias segue acompanhando os desdobramentos desta disputa eleitoral e as medidas judiciais tomadas pelas partes envolvidas. Continue conosco para se manter informado sobre os fatos que definem o cenário político nacional com transparência e rigor jornalístico.
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