O cenário artístico nacional e regional amanheceu consternado com a partida de um de seus expoentes contemporâneos mais promissores. O ator e diretor teatral amazonense Matheus Sabbá faleceu na quarta-feira (28), aos 30 anos, deixando um vazio imensurável nas artes cênicas do estado e do país. A confirmação oficial do falecimento foi divulgada na quinta-feira (29) pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), enquanto a causa e o local da morte não foram tornados públicos pelas autoridades ou familiares até o momento.
Trajetória brilhante no teatro musical e na ópera
Formado em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Matheus construiu uma sólida e respeitada carreira dedicada à atuação e à direção. Seu talento transbordou os limites geográficos da Região Norte, garantindo sua participação em produções de grande relevância nacional. Ele esteve presente em palcos de prestígio, como o Festival Amazonas de Ópera (FAO), o Festival Internacional de Música de Santa Catarina (Femusc), além do Theatro Municipal de São Paulo e do Theatro São Pedro.
Entre seus trabalhos de maior repercussão pública destaca-se a direção do musical A Caixa Mágica do Natal, montagem aclamada que recebeu importantes premiações no Cenym e no Prêmio Brasil Musical. Além do teatro, o artista expandiu sua versatilidade para a sétima arte, integrando o elenco do filme O Último Azul (2024), onde teve a oportunidade de atuar ao lado do renomado ator Rodrigo Santoro.
Contribuição marcante para a ópera e ancestralidade
A relação de Matheus com o universo lírico era profunda e constante. Em 2025, atuou como assistente de direção na montagem de Madama Butterfly durante o Femusc. Já em janeiro deste ano, assumiu a responsabilidade pela direção de cena da ópera Onheama, obra de João Guilherme Ripper apresentada no mesmo festival catarinense.
A montagem de Onheama celebrou a ancestralidade e a forte conexão com a natureza, colocando em evidência a personagem indígena Iporangaba como uma guerreira protagonista. O cuidado estético e o respeito à temática regional evidenciaram o compromisso do diretor com narrativas autênticas e culturalmente significativas para a identidade brasileira.
Homenagens e comoção no meio artístico
A perda precoce gerou uma imensa onda de solidariedade e pesar entre amigos, artistas, coletivos culturais e instituições públicas. Colega de profissão, o ator Adanilo utilizou as redes sociais para exaltar a alegria e o companheirismo do amigo, enquanto a cantora e compositora Cella destacou a influência decisiva que Matheus exerceu em sua formação artística e na renovação do teatro amazonense.
A Federação de Teatro do Amazonas (Fetam), a Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e a escola de samba Unidos do Alvorada — onde o artista integrou a comissão de frente da bateria e manteve laços familiares estreitos — emitiram notas oficiais prestando homenagens e reforçando a importância do legado deixado pelo jovem diretor.
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