A produção colombiana Cinco Anos, Quatro Meses foi escolhida pelo júri oficial como a melhor ficção da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que encerrou sua histórica edição comemorativa de 50 anos. A cerimônia de premiação e encerramento ocorreu no Teatro Cultura Artística, revelando os grandes destaques de um evento que consolidou a capital paulista como um dos principais palcos para a sétima arte no cenário global.
O longa vencedor retrata a dolorosa jornada de Martha, uma mulher que perdeu o rastro do filho durante o conflito armado colombiano. A escolha do júri — composto por Ali Asgari, Boots Riley, César Augusto Acevedo e Laís Bodanzky — destacou a força narrativa e o impacto social da obra entre os títulos concorrentes na categoria Novos Diretores.
marco histórico e celebração do cinema mundial
Celebrando meio século de história, a Mostra de São Paulo reafirmou sua vocação de abrir portas para o cinema internacional e independente. Ao longo dos dias de evento, a programação exibiu 394 títulos vindos de mais de 90 países, distribuídos em 57 salas de cinema e espaços culturais espalhados pela capital paulista, atraindo cinéfilos e profissionais da indústria audiovisual.
O festival deste ano também prestou homenagens marcantes a nomes consagrados da cinematografia mundial. Receberam distinções especiais figuras como James Gray, Paulo Branco, S.S. Rajamouli e Marco Bechis, reforçando o caráter plural e o prestígio internacional construído pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo ao longo de cinco décadas de fomento à cultura.
destaques do júri e premiações internacionais
Além da vitória colombiana na ficção, o júri oficial condecorou outras produções de destaque internacional. O documentário O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas, assinado por Matteo Norzi e Èlia Gasull Balada, levou o prêmio de melhor documentário, enquanto a mexicana Fernanda Tovar foi reconhecida como melhor direção pelo filme Chicas Tristes.
O Prêmio Especial do Júri foi direcionado a Edward Said: Entre Mundos, dirigido por Maiken Baird. Outras iniciativas fundamentais para o ecossistema cinematográfico, como o Prêmio Netflix e o Prêmio Projeto Paradiso, contemplaram produções nacionais como Talismã, de Thais Fujinaga, e A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr., estimulando a continuidade e a circulação de novas narrativas.
a preferência do público e da crítica especializada
A escolha do público refletiu a diversidade de olhares sobre a produção contemporânea, premiando longas nacionais e estrangeiros de grande repercussão. Na categoria de ficção brasileira, o público dividiu o entusiasmo entre Feito Pipa, de Allan Deberton, e 100 Dias, de Carlos Saldanha. Já o documentário Fernanda, dirigido por Pedro Waddington, levou o troféu de melhor documentário brasileiro.
A crítica especializada também apontou seus favoritos, premiando Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco, como o melhor filme brasileiro. Outras vertentes, como o Prêmio Prisma Queer, destacaram produções que ampliam a representatividade e o debate de gênero, consolidando o festival como um espaço democrático de reflexão política, social e artística.
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