A prefeitura de Barra do Corda, no Maranhão, determinou o afastamento do secretário municipal de Segurança Pública, Antonio James Mota da Silva, até o fim das eleições. A medida foi tomada após a repercussão de declarações atribuídas ao gestor que sugeriam a prisão e a perseguição de eleitores e apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) na região.
A decisão oficializada pela gestão municipal busca resguardar a lisura do pleito e manter a ordem pública durante o período decisivo nas urnas. O caso ganhou ampla repercussão estadual e mobilizou órgãos de controle e partidos políticos, que acionaram instâncias judiciais e policiais para apurar a conduta do agente público.
Afastamento oficializado e contexto político
O prefeito de Barra do Corda, Rigo Alberto Teles de Sousa, assinou a portaria que afasta o secretário em meio à crescente tensão do segundo turno das eleições municipais e estaduais. O documento estipula que a suspensão de Antonio James Mota da Silva siga válida até o encerramento da votação, garantindo que a administração pública continue funcionando sem interrupções na pasta de segurança.
De acordo com as informações apuradas, o conteúdo que motivou a punição administrativa circulou em um grupo fechado de aplicativo de mensagens instantâneas voltado para policiais militares. Nas gravações, o então secretário, que é sargento da Polícia Militar do Estado do Maranhão e estava cedido à prefeitura, fez menções a abordagens e restrições direcionadas a simpatizantes de uma vertente política específica.
Repercussão institucional e investigações
A reação das autoridades estaduais foi imediata diante da gravidade das acusações envolvendo um agente da segurança pública. O governador reeleito do Maranhão, Carlos Brandão, também determinou o afastamento do policial militar de suas funções habituais, somando forças às medidas administrativas já tomadas pela prefeitura do município maranhense.
Paralelamente, a esfera eleitoral e criminal passou a monitorar o episódio de perto. A Federação Brasil da Esperança, coligação que reúne o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Verde (PV), protocolou uma notícia-crime eleitoral junto à Procuradoria Regional Eleitoral. O documento solicita diligências urgentes, incluindo perícia técnica nos áudios, o depoimento do secretário e medidas cautelares para proteger o pleito.
Posicionamento da defesa e acionamento federal
Em nota oficial divulgada à imprensa local, o secretário afastado confirmou ser o autor das mensagens de voz, mas tentou minimizar o teor das declarações. Segundo o militar, as falas tratavam-se de brincadeiras, comentários e provocações de cunho político inseridas em um debate acalorado dentro do grupo fechado.
Apesar da justificativa, o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) formalizou a comunicação do caso à Polícia Federal (PF). O órgão eleitoral encaminhou os registros e a divulgação dos áudios do sargento James Mota nas redes sociais para que a corporação conduza a investigação criminal cabível, avaliando eventuais crimes eleitorais ou abusos de poder durante o período de campanha.
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