As ações da Weg registraram forte baixa durante o pregão desta quarta-feira (21), após a divulgação do balanço financeiro referente ao terceiro trimestre. O desempenho operacional da fabricante de motores elétricos veio abaixo das projeções de analistas de mercado, o que motivou uma onda de vendas dos papéis na bolsa de valores brasileira.
Por volta das 11h, os ativos da companhia recuavam 4,6%, sendo cotados a R$ 46,53. Com essa variação negativa, a empresa liderou as perdas do índice Ibovespa no horário. No acumulado do ano, os papéis da companhia passam a exibir uma retração de cerca de 3,6%, refletindo a volatilidade recente do cenário econômico e a reação dos investidores aos números trimestrais.
Lucro e Ebitda abaixo das expectativas do mercado
No balanço financeiro divulgado antes da abertura do mercado, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 1,67 bilhão no terceiro trimestre. O montante representa um avanço de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, o resultado ficou aquém do consenso de analistas compilados pela LSEG, que projetavam um lucro líquido de R$ 1,71 bilhão.
O indicador operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, o Ebitda, somou R$ 2,35 bilhões no período, o que representa uma expansão de 3,1% na base anual. Ainda assim, a cifra também ficou abaixo da expectativa média do mercado, estimada em R$ 2,40 bilhões.
Margem Ebitda e pressões de custos operacionais
Segundo análises divulgadas por instituições financeiras como a UBS BB, a reação predominantemente negativa do mercado decorre de uma retração na margem Ebitda mais acentuada do que o previsto. A expectativa dos analistas apontava para um recuo moderado de 0,4 ponto percentual, mas a margem da companhia fechou o trimestre em 21,6%, uma queda de 0,6 ponto percentual.
A administração da empresa atribuiu a compressão das margens a fatores externos e setoriais:
- Aumento nos custos de matérias-primas essenciais, como o cobre.
- Cenário de câmbio desfavorável para as exportações.
- Impactos decorrentes de tarifas de importação implementadas pelos Estados Unidos.
Por sua vez, analistas do Citi reforçaram que tanto o indicador operacional quanto o lucro líquido ficaram cerca de 1% abaixo das projeções originais, corroborando a cautela dos investidores.
Desempenho da receita e expansão internacional
A receita líquida totalizou R$ 10,86 bilhões, registrando crescimento de 5,7% na comparação anual, enquanto a projeção média apontava para R$ 10,92 bilhões. O avanço foi impulsionado principalmente pelo mercado externo, que cresceu 8,3%, ao passo que o mercado interno avançou 1,8%.
Atualmente, as operações internacionais respondem por 62,5% do faturamento total do grupo, enquanto o mercado brasileiro representa 37,5%. A companhia destacou que o desempenho global foi sustentado pela demanda robusta por produtos e serviços, mesmo diante da valorização do real frente a outras moedas.
Investimentos e perspectivas futuras
Apesar da pressão sobre os custos, equipes de análise, como a liderada por Lucas Barbosa no Santander, avaliaram que o grupo manteve uma rentabilidade sólida. No trimestre, os investimentos em modernização e expansão da capacidade produtiva alcançaram R$ 905,4 milhões, superando os R$ 672,6 milhões aplicados no mesmo período de 2025. Do total aportado, 39,8% foram direcionados às unidades no Brasil e o restante ao exterior. Para o ano de 2026, a empresa projeta investimentos da ordem de R$ 3,54 bilhões.
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