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Gigante do café brasileiro avança em processo de recuperação judicial para reestruturar dívidas

Segundo maior produtor de café do Brasil busca reestruturação de dívidas milionárias em recuperação judicial após quebras consecutivas de safra.

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  • O setor cafeeiro brasileiro acompanha de perto o processo de reestruturação financeira de um de seus principais nomes.
  • O Grupo Ruiz Coffees, reconhecido como o segundo maior produtor de café do Brasil, formalizou um pedido de recuperação judicial para lidar…
  • A medida ocorre após um período desafiador marcado por seguidas quebras de safra e por barreiras severas na obtenção de novos créditos…
Gigante do café brasileiro avança em processo de recuperação judicial para reestruturar dívidas
Divulgação/Ruiz Coffees

O setor cafeeiro brasileiro acompanha de perto o processo de reestruturação financeira de um de seus principais nomes. O Grupo Ruiz Coffees, reconhecido como o segundo maior produtor de café do Brasil, formalizou um pedido de recuperação judicial para lidar com um passivo estimado em cerca de R$ 775 milhões. A medida ocorre após um período desafiador marcado por seguidas quebras de safra e por barreiras severas na obtenção de novos créditos e no refinanciamento de obrigações bancárias e comerciais.

Apesar da magnitude do montante envolvido, a direção da companhia assegura que a estrutura operacional permanece ativa. Em declarações recentes, a administração destacou que o foco imediato reside na garantia do custeio das lavouras voltadas ao ciclo 2026/27, além da preservação de mais de 500 postos de trabalho diretos mantidos pela corporação no interior paulista e em outras regiões de atuação.

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Intervenção judicial e proteção de ativos essenciais

O pedido de recuperação judicial, protocolado em 8 de outubro, ganhou novos desdobramentos quando o magistrado responsável, Paulo Roberto Zaidan Maluf, determinou a suspensão temporária das execuções de dívidas por um período de 30 dias. A decisão também impôs restrições aos credores, proibindo a antecipação de vencimentos contratuais em decorrência direta do ajuizamento da medida.

Além de frear cobranças imediatas, a Justiça reconheceu formalmente a essencialidade das sacas de café já colhidas e dos frutos ainda pendentes nas lavouras para a manutenção da atividade econômica do grupo. Com isso, mesmo credores externos à recuperação judicial ficam impedidos de realizar arrestos ou penhoras sobre o café estocado ou em produção, assegurando o fluxo mínimo necessário para a continuidade operacional.

O processo tramita na vara regional empresarial e de conflitos relacionados à arbitragem da cidade de São José do Rio Preto. A petição inicial foi apresentada conjuntamente por diferentes braços empresariais, incluindo empresas agropecuárias, um posto de combustíveis e produtores rurais integrados à rede corporativa.

Fatores climáticos e volatilidade do mercado

A crise financeira enfrentada pelo grupo não decorre de falhas estruturais de gestão, mas sim de uma sequência implacável de adversidades climáticas combinadas com oscilações bruscas de mercado. Conforme relatado pela diretoria financeira, a sequência negativa teve início com a geada severa registrada em julho de 2021, cujos impactos repercutiram nos ciclos produtivos subsequentes.

O cenário meteorológico adverso continuou a pressionar a produtividade nos anos seguintes, acumulando episódios como o calor extremo sobre a florada de 2023 e a estiagem rigorosa de 2024. As perdas estimadas pela empresa oscilam entre 14% e 28% em relação às projeções iniciais de volume, comprometendo a capacidade de reinvestimento gerada pela própria colheita.

  • Geadas severas e impactos prolongados na agricultura regional
  • Calor atípico durante períodos cruciais de floração
  • Estiagens prolongadas que reduziram a produtividade das lavouras
  • Vendas antecipadas fixadas antes de altas expressivas nos preços

Paradoxalmente, a expressiva valorização internacional do café não se traduziu em alívio financeiro imediato para os cofres da empresa. Grande parte da produção havia sido comercializada de forma antecipada com tradings, com valores travados antes do salto nas cotações. Com volumes reduzidos pela quebra de safra, a companhia precisou gerenciar entregas físicas pendentes, acumulando pressões sobre os ciclos seguintes e limitando os ganhos com o encarecimento do produto.

Estratégias de alongamento de passivos e mercado de capitais

Como parte da estratégia para superar o momento de baixa liquidez, a empresa busca alternativas que envolvem a renegociação de terras e ativos atrelados a Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). O modelo em estudo prevê a transferência da titularidade de imóveis dados em garantia para um fundo de investimento, enquanto o Grupo Ruiz preserva a posse física, o manejo e a comercialização da produção local.

As negociações voltadas ao mercado de capitais abrangem aproximadamente 1,5 mil hectares dedicados à cafeicultura, o equivalente a cerca de um quinto da área cultivada pelo grupo, além de outros 1,1 mil hectares voltados ao cultivo de cana-de-açúcar. A companhia mantém em sigilo os detalhes contratuais e a identificação exata das propriedades, amparada por cláusulas de confidencialidade.

Enquanto o processo de reestruturação segue sob análise rigorosa do Poder Judiciário, a prioridade institucional permanece voltada à estabilização financeira. A condução dos próximos meses exigirá equilíbrio entre o cumprimento das obrigações legais, a manutenção de parcerias comerciais e a preservação da capacidade produtiva em um dos mercados mais competitivos do agronegócio nacional.

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