A empresária Márcia Gama Nepomuceno, esposa do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e mãe do rapper Oruam, foi presa nesta segunda-feira (19) durante a Operação Backbone, conduzida pela Polícia Federal (PF). A ação teve como principal objetivo desarticular uma estrutura financeira e operacional ligada ao Comando Vermelho na capital fluminense. No mesmo desdobramento, as autoridades também efetuaram a prisão de outro filho do casal, Lucas dos Santos Nepomuceno.
As capturas ocorreram no âmbito de uma série de mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os alvos foram encaminhados para a sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. A ofensiva policial mobilizou equipes em diversos pontos do estado para cumprir dezenas de ordens judiciais voltadas a enfraquecer o patrimônio e a rede de apoio de organizações criminosas na região.
Alvos e abrangência da Operação Backbone
A ofensiva coordenada pela Polícia Federal cumpriu dezenas de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pelo STF. As ordens judiciais abrangeram a capital fluminense e municípios da Baixada Fluminense, da Região Serrana e da Região Metropolitana do Rio. Entre os investigados alvo da operação também está o próprio Marcinho VP, que já cumpre pena há décadas em uma penitenciária federal de segurança máxima fora do estado.
A investigação aponta que a facção criminosa utilizava empresas de fachada e provedores de serviços para lavar recursos ilícitos. O esquema sob escrutínio da Justiça movimentava valores expressivos obtidos por meio de atividades ilegais na região metropolitana, exigindo uma força-tarefa integrada para desmantelar a cadeia de ocultação de patrimônio e o financiamento das operações ilícitas.
Monopólio de serviços e lavagem de dinheiro
De acordo com o inquérito conduzido pela Polícia Federal, o grupo criminoso investigado impõe o controle sobre o fornecimento de serviços essenciais de telecomunicações. A atuação da facção se concentrava em complexos de favelas na Zona Norte do Rio e em bairros vizinhos, onde o sinal clandestino de internet e TV era explorado comercialmente para sustentar financeiramente a estrutura do tráfico.
O avanço das apurações revelou que empresas provedoras de internet e produtoras de eventos integravam o esquema de lavagem de dinheiro. Com isso, a Justiça determinou o bloqueio massivo de bens e valores de dezenas de pessoas físicas e jurídicas, além da suspensão imediata das atividades econômicas das empresas apontadas como fachada pelas autoridades policiais.
Posicionamento da defesa
A defesa da empresária Márcia Gama Nepomuceno se manifestou sobre as investigações em curso. O advogado Flávio Fernandes informou que ainda não havia tido acesso integral aos autos do processo, mas ressaltou que as empresas registradas em nome de sua cliente atuam dentro da legalidade, mantendo obrigações fiscais e emissão de notas em dia com os órgãos competentes.
A defesa negou veementemente qualquer envolvimento de Márcia Nepomuceno com esquemas clandestinos de fornecimento de sinal de internet ou com as atividades ilícitas investigadas pela Polícia Federal. Até o momento da última atualização das autoridades, a reportagem não havia obtido contato com os representantes legais de Lucas dos Santos Nepomuceno para comentar as acusações.
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