Moradores do litoral e do interior do estado de São Paulo foram surpreendidos por dois raros e belos eventos atmosféricos que transformaram a paisagem celeste. Enquanto o município de Eldorado, no Vale do Ribeira, registrou a formação de um halo solar exuberante, a cidade de Praia Grande, na Baixada Santista, foi agraciada com a aparição de uma nuvem iridescente de cores vibrantes.
As duas ocorrências foram registradas no fim da manhã de sábado (17) e mobilizaram a atenção da população local, gerando relatos de encanto e curiosidade nas redes sociais. Ambos os espetáculos são fenômenos ópticos decorrentes da interação direta da luz com elementos suspensos na alta atmosfera.
Halo solar emoldura o céu no Vale do Ribeira
Na cidade de Eldorado, moradores observaram um enorme círculo de luz que se formou ao redor do sol. O servidor público Sergio Luiz Ferreira Sales destacou o impacto visual daquele momento, afirmando ter sido uma experiência surpreendente e interessante, capaz de despertar ainda mais curiosidade sobre as dinâmicas naturais da atmosfera.
A reação da professora Marizete Cunha Batista da Silva combinou espanto inicial e admiração. Ela lembrou de um antigo dito popular que associava marcas celestes a presságios ruins, mas ressaltou ter presenciado uma das imagens mais bonitas de sua vida.
Segundo a meteorologista Ana Ávila, pesquisadora vinculada ao Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, o halo solar surge quando a iluminação atravessa cristais de gelo presentes em nuvens altas, como as da família dos cirros. Essas partículas atuam como pequenos prismas transparentes que refratam a claridade e criam a circunferência característica.
Nuvem iridescente chama atenção na Baixada Santista
Quase simultaneamente, no bairro Canto do Forte, em Praia Grande, a professora Vanessa Simões Braga notou uma mancha colorida incomum em meio a formações nubladas. Intrigada pela forma e pela tonalidade, ela relatou que a estrutura não possuía a curvatura de um arco-íris convencional e continha cerca de três faixas de cor evidentes, lembrando a delicadeza de uma aurora boreal.
A pesquisadora Ana Ávila esclareceu que esse fenômeno decorre da difração dos raios solares ao encontrarem gotículas de água extremamente diminutas ou finos cristais de gelo distribuídos de maneira homogênea. O processo luminoso funciona de modo semelhante ao arco-íris, mas demanda ângulos de refração bastante específicos em relação ao observador no solo.
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