A Copel, uma das principais empresas do setor elétrico brasileiro, posicionou-se de forma contundente sobre o futuro das concessões de hidrelétricas que estão com contratos vencidos ou próximos do encerramento. A companhia defende que o governo federal submeta esses ativos a novos leilões, argumentando que a competição de mercado é a única forma eficaz de determinar o valor real desses empreendimentos para a sociedade.
A declaração foi feita por Diogo Mac Cord, vice-presidente de Estratégia, Novos Negócios e Transformação Digital da Copel, durante entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN. Segundo o executivo, a prática de renovar concessões baseando-se apenas em projeções econômicas — o que ele chamou de “briga de premissa” em planilhas de Excel — pode resultar em prejuízos ao país, impedindo que o Estado capture o valor que investidores estariam dispostos a pagar em uma disputa aberta.
A disputa pelo valor dos ativos energéticos
O debate ganha corpo em um momento em que o Ministério de Minas e Energia (MME) avalia as regras para o destino de cerca de 15 gigawatts de potência, distribuídos em aproximadamente 40 usinas hidrelétricas. Para a Copel, o modelo de leilão permite que o mercado confronte diferentes expectativas de preço e planos de investimento, revelando assimetrias que não seriam detectadas em renovações automáticas.
Mac Cord utilizou o leilão relacionado ao GSF (risco hidrológico), realizado pela CCEE em agosto de 2025, como exemplo prático de sucesso da concorrência. Na ocasião, algumas usinas atingiram ágio de até 113%. O executivo argumenta que, se o processo tivesse sido conduzido apenas por cálculos teóricos, o setor teria deixado de capturar cerca de 60% do valor que foi efetivamente obtido através da disputa competitiva.
Divergências estratégicas no setor elétrico
A posição da Copel não é unânime e encontra resistência em outros grandes players do setor. A francesa Engie, por exemplo, manifestou preocupação com o risco de concentração de mercado caso as concessões sejam relicitadas. No caso específico da hidrelétrica de Salto Santiago, no Paraná, a empresa defende a prorrogação do contrato, atrelando a permanência à promessa de investimentos para a ampliação da capacidade instalada da usina.
Questionado sobre a coerência da posição da Copel, dado que a própria companhia teve concessões renovadas recentemente, Mac Cord diferenciou os processos. Ele argumentou que, tanto no caso da Copel quanto na privatização da Eletrobras, houve um processo competitivo prévio que permitiu “testar” o valor do bem público perante o mercado. As concessões de Foz do Areia, Segredo e Salto Caxias, por exemplo, foram renovadas em novembro de 2024, após a desestatização da empresa.
O cenário permanece em aberto enquanto o governo conduz a consulta pública sobre o tema. A decisão final do MME deve definir não apenas o futuro das usinas, mas também o nível de investimento e a dinâmica de preços de energia no Brasil para as próximas décadas. Para acompanhar os desdobramentos desta pauta e outras notícias essenciais sobre economia e infraestrutura, continue acompanhando o Canal 1 de Notícias, seu portal de referência em informação contextualizada e de qualidade.
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