A população de Manaus e de outros cinco municípios da Região Metropolitana iniciou este domingo (11) sob um denso manto de fumaça, resultado direto da intensificação dos incêndios florestais que assolam o estado. Pelo quarto dia consecutivo, a capital amazonense enfrenta níveis críticos de poluição, com a maioria das estações de monitoramento indicando uma qualidade do ar classificada como “péssima”.
Os dados são fornecidos pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Segundo o monitoramento, 13 dos 15 sensores instalados em Manaus registraram índices de poluição superiores a 140 µg/m³. A situação é especialmente grave em zonas densamente povoadas, como o bairro Coroado, na Zona Leste, onde a concentração de partículas suspensas atingiu 227,8 µg/m³ logo nas primeiras horas da manhã.
Impacto da poluição na região metropolitana
A crise ambiental não se restringe aos limites da capital. Municípios vizinhos também sofrem com a dispersão dos poluentes. O caso mais crítico registrado na manhã deste domingo foi no município de Careiro, com uma concentração de partículas de 301,2 µg/m³. Outras cidades, como Borba e Autazes, também apresentaram índices alarmantes, superando a marca de 180 µg/m³.
Em Itacoatiara e Silves, embora os números sejam ligeiramente menores, a qualidade do ar permanece em patamares considerados “muito ruins”. Esse cenário reflete a extensão dos focos de incêndio que, conforme dados recentes, apresentaram um aumento de 271% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando 1,3 mil focos em apenas dez dias.
Esforços emergenciais e combate aos incêndios
Diante do agravamento da situação, o Governo Federal reconheceu o estado de emergência em 36 municípios do Amazonas, incluindo a capital. A medida, oficializada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) no sábado (10), visa facilitar a liberação de recursos e o envio de apoio logístico para o combate às chamas.
Como parte dessa força-tarefa, aeronaves do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chegaram a Manaus para reforçar as operações. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) destinou um contingente de 290 brigadistas e seis aeronaves para atuar diretamente nas áreas mais afetadas, buscando conter o avanço do fogo que tem prejudicado a visibilidade e a saúde pública.
Reflexos diretos na saúde pública
O impacto da inalação prolongada de fumaça já é sentido nos prontos-socorros da capital. A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) contabilizou 82 atendimentos de urgência relacionados a problemas respiratórios apenas entre os dias 1º e 8 de outubro. Desde o início de julho, o total de registros chega a 375 casos.
Especialistas alertam para sintomas como falta de ar, tosse persistente, irritação na garganta e dores no peito. A recomendação das autoridades de saúde é que a população evite atividades físicas ao ar livre e procure atendimento médico imediato ao notar chiado no peito ou agravamento de condições pré-existentes, como asma e rinite. O acompanhamento constante da qualidade do ar pode ser feito através do sistema Selva da UEA.
O Canal 1 de Notícias segue acompanhando o desdobramento da crise ambiental no Amazonas, trazendo atualizações sobre o combate aos incêndios e as medidas de proteção à saúde da população. Continue conosco para se manter informado com credibilidade e profundidade sobre os fatos que impactam o seu dia a dia.
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