Uma trajetória marcada por mudanças e insucessos nas urnas
A disputa eleitoral de 2026 na região de Campinas revelou um caso singular de persistência política. Marco Antonio de Paula, que se apresentou nas urnas como “Pastor Marco Antônio”, registrou o desempenho mais baixo entre todos os candidatos a deputado federal na região, somando apenas 38 votos. O resultado, contudo, é apenas um capítulo em uma trajetória de 22 anos, durante a qual o candidato tentou, sem sucesso, conquistar um cargo eletivo em dez pleitos diferentes.
Ao longo de mais de duas décadas, Marco Antonio de Paula não apenas trocou de legendas — passando por nove partidos políticos desde 2004 — como também alterou sistematicamente seu nome de urna. A estratégia de marketing político, que incluiu alcunhas como “Perna de Pau” e “Capivara”, não foi suficiente para garantir a vitória em nenhuma das tentativas. O desempenho mais expressivo de sua carreira ocorreu em 2014, quando, sob o nome “Marco Antonio – O Capivara”, obteve 1.841 votos para deputado estadual, alcançando a condição de suplente.
Histórico de condenações e controvérsias judiciais
A vida pública do candidato é acompanhada por um histórico de embates com a Justiça. O apelido “Capivara”, pelo qual ficou conhecido em Americana (SP), está diretamente ligado a um processo por estelionato. Em 2015, ele foi condenado por crimes dessa natureza, praticados 30 vezes, com a extinção da punibilidade ocorrendo apenas em março de 2021. O levantamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica que a Procuradoria Regional Eleitoral chegou a impugnar o registro de sua candidatura em 2026, mas o candidato conseguiu reverter a decisão por meio de recursos, garantindo sua participação no pleito.
Além do caso de estelionato, o histórico de Marco Antonio registra outras passagens pelo Judiciário. O candidato já foi condenado por contravenção penal em Americana, com pena extinta em 2011, e respondeu a processos por ameaça em Andradina (SP), além de ocorrências de trânsito e contravenção em Araçatuba (SP), todas encerradas ou com punibilidade extinta ao longo das últimas décadas. Em 2016, ele também esteve envolvido em uma ocorrência de invasão de terra em Santo Antônio de Posse (SP), ligada a uma associação da qual fazia parte.
A dinâmica das candidaturas e o cenário regional
A participação de Marco Antonio nas eleições tem sido marcada por instabilidades. Entre 2018 e 2020, houve um hiato em suas candidaturas, enquanto nos anos de 2016, 2022 e 2024, ele teve o registro anulado ou foi considerado inapto pela Justiça Eleitoral. Sua passagem pela administração pública também foi pontual: em 2011, atuou como servidor comissionado na Secretaria de Obras e Serviços Urbanos de Americana, durante a gestão do ex-prefeito Diego De Nadai, que não se manifestou sobre o tema.
O desempenho de 38 votos coloca o candidato em um patamar distante da realidade dos eleitos. Para efeito de comparação, a deputada federal eleita com a menor votação em 2026, Sônia Guajajara (Psol), obteve 54.207 votos. A análise dos números reforça a dificuldade de candidatos com baixo capital político e histórico de instabilidade partidária em converter tentativas sucessivas em apoio popular. O Canal 1 de Notícias segue acompanhando os desdobramentos do cenário político regional e nacional, mantendo o compromisso com a apuração rigorosa dos fatos que impactam a sociedade brasileira.


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