Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Espírito Santo revelou que uma disputa interna dentro de uma facção criminosa foi a motivação central para o violento ataque ocorrido em julho de 2024, no bairro Areinha, em Viana. O crime resultou nas mortes do pastor Tiago Carlotti, de 35 anos, e do ajudante de pedreiro Maciel Oliveira, de 29 anos, além de deixar um terceiro trabalhador ferido.
A dinâmica do crime e a motivação da facção
Segundo o delegado Cleudes Jr., chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, o alvo principal dos criminosos era Maciel Oliveira. O ajudante de pedreiro mantinha contato com uma antiga liderança do Primeiro Comando de Vitória (PCV), facção que passava por um processo de fragmentação interna na época do atentado.
A ruptura ocorreu quando um homem identificado como Marcelinho, conhecido como “Marcelinho do Vale do Sol”, foi destituído de sua posição de comando na região. Como Maciel mantinha laços de amizade e repassava informações para o ex-líder, ele tornou-se um alvo para a nova cúpula da organização criminosa. Os suspeitos utilizaram um veículo Volkswagen Gol branco, com placas clonadas, para chegar ao local da obra onde as vítimas trabalhavam e realizar os disparos.
O papel social do pastor e a execução
O pastor Tiago Carlotti, que não possuía antecedentes criminais, foi morto por estar no local errado no momento do ataque. De acordo com as autoridades, ele realizava um trabalho social voltado para a ressocialização de indivíduos envolvidos com o tráfico e usuários de drogas, oferecendo oportunidades de emprego para que pudessem abandonar a criminalidade. A investigação concluiu que ele foi executado como “queima de arquivo”, possivelmente por conhecer os atiradores, visto que também era morador da região.
O terceiro trabalhador presente na obra conseguiu sobreviver ao ataque. Após ser atingido por disparos, ele relatou à polícia que um dos executores tentou atirar contra seu rosto, mas a arma falhou. Aproveitando a oportunidade, a vítima se jogou de um barranco e conseguiu aguardar o socorro, apesar dos ferimentos.
Identificação dos suspeitos e desdobramentos
A Polícia Civil identificou três indivíduos envolvidos diretamente na ação criminosa. Jeferson França Gonçalves de Souza, conhecido como “Dumbo”, de 29 anos, foi apontado como o motorista do veículo utilizado no crime. Ele já estava detido por outros delitos, como tráfico de drogas e porte ilegal de arma, e teve a prisão preventiva cumprida pelo duplo homicídio e pela tentativa de homicídio em Areinha.
Os outros dois suspeitos, identificados como Gabriel Lima Pires dos Santos, o “Boquela”, e Arthur Mauricio Pinto, o “Jhon”, foram mortos em episódios distintos no início de 2025. Gabriel foi assassinado em 2 de janeiro, no bairro Soteco, em Viana, enquanto Arthur foi executado em 17 de janeiro, no bairro Central Carapina, na Serra. O caso reforça a instabilidade e o alto índice de violência decorrentes de conflitos internos em grupos criminosos no estado.
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