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Mercado de fertilizantes no Brasil registra queda de 22,3% nas entregas em julho

Entregas de fertilizantes caem 22,3% em julho. Setor monitora impactos da guerra no Irã e custos de insumos para a safra 2026/27.

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  • O setor agrícola brasileiro enfrenta um momento de cautela e reajuste logístico.
  • Dados divulgados nesta segunda-feira (5) pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) revelam que as entregas de fertilizantes ao mercado nacional…
  • O volume representa uma queda de 22,3% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando o setor registrou a entrega de…
Mercado de fertilizantes no Brasil registra queda de 22,3% nas entregas em julho
Agricultor dirige um trator espalhando fertilizante em um campo de soja • , perto de Brasília, Brasil15/02/2022REUTERS/Adriano Machado

O setor agrícola brasileiro enfrenta um momento de cautela e reajuste logístico. Dados divulgados nesta segunda-feira (5) pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) revelam que as entregas de fertilizantes ao mercado nacional somaram 3,96 milhões de toneladas em julho. O volume representa uma queda de 22,3% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando o setor registrou a entrega de 5,09 milhões de toneladas.

O recuo não é um evento isolado, refletindo uma tendência observada ao longo dos primeiros sete meses do ano. No acumulado de janeiro a julho, o volume total entregue atingiu 22,98 milhões de toneladas, o que configura uma retração de 8,8% frente às 25,21 milhões de toneladas contabilizadas no mesmo período do ano anterior.

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Impactos geopolíticos e a cadeia de suprimentos

Segundo a análise da ANDA, o ano começou com um ritmo de comercialização considerado normal, impulsionado pelo desempenho positivo da safrinha no primeiro trimestre. No entanto, o cenário sofreu uma mudança drástica após o início da guerra no Irã. O conflito gerou incertezas que provocaram um arrefecimento direto em novos negócios, movimento que se tornou mais evidente a partir de maio e que agora impõe desafios ao abastecimento para a safra 2026/27.

Geograficamente, o Mato Grosso segue como o principal polo de demanda, liderando as entregas com 5,83 milhões de toneladas, o que equivale a 25,4% do total nacional. Na sequência, estados como Paraná, Goiás, São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e Minas Gerais completam a lista dos maiores receptores de insumos no período.

Retração na produção nacional e nos custos

A indústria local de fertilizantes intermediários também reflete a instabilidade do mercado. Em julho, a produção nacional foi de 517 mil toneladas, uma queda de 19,9% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado de sete meses, a produção somou 3,34 milhões de toneladas, recuo de 19,7% na comparação anual.

A associação aponta que a redução produtiva está atrelada, principalmente, ao aumento contínuo dos preços do enxofre, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados. Vale ressaltar, contudo, que os dados podem não captar a totalidade da produção nacional, especialmente de ureia e cloreto de potássio, devido a mudanças estruturais e societárias em empresas do setor.

Desafios nas importações e atenção aos nitrogenados

As importações de fertilizantes intermediários acompanharam a tendência de baixa, totalizando 3,54 milhões de toneladas em julho, uma redução de 21,4%. O Porto de Paranaguá (PR), principal porta de entrada do país, recebeu 5,4 milhões de toneladas até julho, uma queda de 10% frente ao ano anterior, respondendo por 25,4% das importações totais.

Um ponto de atenção especial recai sobre os fertilizantes nitrogenados. As importações de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram cerca de 20% abaixo do registrado nos primeiros oito meses de 2025. Como o segundo semestre é o período de maior volume de compras para o planejamento das próximas safras e aplicações no milho, a lentidão nas importações, somada à capacidade de compra dos produtores, exige monitoramento constante.

A demanda estrutural por insumos segue atrelada à expansão da produção agrícola nacional. Com a desaceleração nas compras, o nível dos estoques e a agilidade na logística de entrega passam a ser fatores decisivos para garantir a viabilidade dos próximos ciclos produtivos.

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