A dinâmica da checagem no debate eleitoral
O debate promovido pela TV Globo com os candidatos ao Governo do Distrito Federal, realizado nesta terça-feira (29), serviu como um termômetro importante para o eleitorado brasiliense. Com a mediação do jornalista Heraldo Pereira, o encontro nos estúdios da emissora em Brasília permitiu que os postulantes ao cargo apresentassem suas propostas, mas também abriu espaço para confrontos diretos baseados em dados, estatísticas e registros históricos.
Para garantir a transparência do pleito, a equipe do Fato ou Fake acompanhou em tempo real as declarações dos participantes. O objetivo foi confrontar as falas de Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB) com fontes oficiais, anuários de segurança pública e registros orçamentários, oferecendo ao público uma análise técnica sobre a veracidade dos argumentos apresentados.
Segurança pública e indicadores de criminalidade
Um dos pontos de maior atrito entre os candidatos foi a segurança pública. Kiko Caputo afirmou que, durante a gestão do PT no DF, Brasília figurou entre as 50 cidades mais violentas do mundo. A checagem confirmou a veracidade do dado, apontando que a capital federal ocupou a 49ª posição no ranking de 2012, elaborado pelo Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal. O dado, no entanto, refere-se a um período específico, já que a cidade deixou a lista no levantamento seguinte.
O debate também abordou a variação de crimes violentos e patrimoniais. Ao ser questionado sobre o aumento de roubos de celulares e feminicídios, a checagem classificou a fala como “não é bem assim”. Enquanto o 2º Anuário de Segurança Pública do DF (2026) aponta um crescimento de 28% nos casos de feminicídio entre 2024 e 2025, os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam uma redução nos roubos e furtos de celulares no mesmo período, contrastando com a leitura apresentada pelo candidato.
Orçamento e infraestrutura em pauta
A gestão financeira e os grandes projetos de infraestrutura dominaram as discussões sobre o futuro do DF. Paula Belmonte destacou a existência de um déficit nas contas públicas, citando o valor de R$ 6 bilhões. A informação foi considerada fato, corroborada por declarações do secretário de Economia, Valdivino José de Oliveira, que confirmou a projeção do rombo em balanço apresentado no primeiro semestre de 2026.
Já Ricardo Cappelli trouxe à tona o recorde orçamentário de R$ 74 bilhões para o ano corrente. A checagem validou o número, explicando que o montante é composto pela soma do orçamento próprio com os repasses do Fundo Constitucional do Distrito Federal. Contudo, ao tratar do custo por quilômetro de expansão do metrô, a afirmação de R$ 100 milhões foi classificada como “não é bem assim”. Estudos técnicos recentes indicam que o valor varia drasticamente conforme a complexidade da obra, podendo superar R$ 360 milhões por quilômetro em projetos específicos, como a expansão em direção ao Setor O.
Contexto histórico e legado político
O debate também revisitou marcos administrativos. Leandro Grass defendeu o legado do PT ao mencionar a criação do programa “Saúde em Casa”, instituído durante o governo de Cristovam Buarque em 1997. A verificação confirmou que o projeto foi formalmente integrado ao SUS-DF por meio de legislação sancionada em 1998, validando a importância histórica da iniciativa para a política pública local.
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