O Brasil inicia, nesta quarta-feira (30), a implementação de um novo conjunto de diretrizes para a doação de sangue. As mudanças, estabelecidas pelo Ministério da Saúde em julho, visam modernizar os critérios de triagem nos hemocentros de todo o país, equilibrando a segurança transfusional com a necessidade de ampliar o acesso de voluntários aos bancos de sangue.
Atualização dos critérios para doação de sangue
A portaria ministerial reformula os regulamentos técnicos que orientam os serviços de hemoterapia. O objetivo central é ajustar os prazos de inaptidão temporária, permitindo que pessoas que antes eram afastadas por períodos longos possam retornar ao ciclo de doação mais rapidamente, desde que cumpridos requisitos de segurança. A norma entrou em vigor após o período de 90 dias de transição determinado pelo governo federal.
Entre as alterações mais significativas está a flexibilização para quem realiza procedimentos estéticos e tatuagens. Agora, o prazo de impedimento é de apenas sete dias para quem faz tatuagens, maquiagem definitiva ou procedimentos invasivos, como botox e microagulhamento, desde que seja possível comprovar a segurança e a procedência do material utilizado. Caso essa verificação não seja viável, o período de inaptidão permanece em quatro meses.
Impacto do uso de medicamentos e procedimentos médicos
O uso de medicamentos injetáveis agonistas de GLP-1, como a semaglutida (princípio ativo do Ozempic), foi alvo de esclarecimento na nova norma. O tratamento em si não gera impedimento automático para o doador. A restrição de quatro meses aplica-se apenas aos indivíduos que compartilharam dispositivos de aplicação, medida que visa mitigar riscos de contaminação cruzada.
Outros procedimentos médicos também tiveram suas regras revistas. Pessoas submetidas a exames de endoscopia agora ficam impedidas de doar por quatro meses a partir da data do procedimento. Da mesma forma, o uso de anabolizantes ou hormônios injetáveis sem prescrição médica acarreta um período de inaptidão de quatro meses. Quando há indicação clínica, a avaliação passa a ser individualizada pelo serviço de hemoterapia.
Novas possibilidades para doadores recorrentes
Uma das mudanças mais celebradas por especialistas em hematologia é a ampliação da idade para doadores habituais. Embora a regra geral para novos doadores limite a idade a 69 anos, aqueles que já possuem histórico de doação poderão continuar contribuindo após os 70 anos, mediante avaliação médica criteriosa no momento da triagem. A medida reconhece a importância da fidelização dos doadores de repetição para a manutenção dos estoques nacionais.
A norma também atualizou os protocolos para prevenção da malária. Candidatos que visitaram áreas endêmicas ou tiveram exposição a matas e florestas em regiões de risco devem aguardar 30 dias antes de realizar a doação. Para casos de diagnóstico confirmado de malária, os prazos de inaptidão variam conforme a espécie do parasita, podendo chegar à inaptidão definitiva em situações específicas, conforme detalhado pela pasta da Saúde.
Apesar das mudanças, a triagem clínica individualizada permanece como o pilar fundamental do processo. Durante a entrevista, profissionais de saúde continuam avaliando o estado geral do candidato, histórico de doenças e outros fatores de risco. O compromisso com a qualidade do sangue coletado segue sendo a prioridade, garantindo proteção tanto para quem doa quanto para quem recebe o material.
O Canal 1 de Notícias segue acompanhando as atualizações das políticas de saúde pública e os desdobramentos dessas novas diretrizes nos hemocentros brasileiros. Continue conosco para manter-se informado sobre temas relevantes, atualizados e com o rigor jornalístico que você merece.


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