Eficiência produtiva supera redução do rebanho
O setor leiteiro brasileiro alcançou um marco expressivo em 2025, registrando uma produção recorde de 36,7 bilhões de litros de leite. O resultado, que representa uma alta de 2,7% em relação ao ano anterior, consolida o terceiro ano consecutivo de expansão no volume total. O dado mais relevante, contudo, reside na forma como essa marca foi atingida: o crescimento ocorreu simultaneamente a uma retração de 2,7% no número de vacas ordenhadas, que somaram 14,7 milhões de animais.
Os números, que integram a Pesquisa da Pecuária Municipal divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam um salto na eficiência das fazendas. A produtividade média subiu 5,6%, atingindo o patamar histórico de 2.498,7 litros por vaca ao ano. Esse movimento de otimização é impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo condições climáticas favoráveis, investimentos contínuos em melhoramento genético e uma reorganização da base produtiva, com a saída de produtores menos especializados do mercado.
Geografia do leite e liderança regional
A região Sul mantém o protagonismo nacional, liderando tanto em volume total quanto em produtividade por animal. Enquanto a média nacional de produção por vaca é expressiva, o Sul se destaca com 4,3 mil litros por animal, seguido pelo Sudeste, com 2,9 mil litros. No ranking estadual, Minas Gerais permanece na liderança isolada, sendo responsável por 10,1 bilhões de litros, quase um terço do total produzido no país.
Entre os municípios, o destaque vai para Castro, no Paraná, que se consolidou como o maior produtor individual do Brasil, com 532,8 milhões de litros. A lista dos dez maiores produtores reflete a força da pecuária leiteira no Sul e em Minas Gerais, com cidades como Carambeí (PR) e Patos de Minas (MG) ocupando posições de destaque. O valor bruto da produção leiteira no país chegou a R$ 89,5 bilhões, evidenciando a importância econômica da atividade para a balança comercial e para o sustento de milhares de famílias rurais.
Ciclos da pecuária e diversificação
O cenário de recordes não se restringe apenas ao leite. O valor total da produção pecuária atingiu a marca de R$ 141,2 bilhões em 2025, um crescimento de 6,2% frente a 2024. O setor de ovos também registrou números históricos, com 5,7 bilhões de dúzias produzidas, impulsionado pela busca do consumidor por proteínas mais acessíveis e pela demanda da indústria de alimentos.
Em contrapartida, o rebanho bovino total apresentou uma leve queda, atingindo 234,3 milhões de cabeças. Segundo analistas do IBGE, essa redução é reflexo do ciclo da pecuária, influenciado pelo abate de fêmeas em anos anteriores e pela dinâmica de preços do bezerro para reposição. Apesar da oscilação no rebanho, o Brasil mantém sua posição de destaque no mercado global, com exportações de carne bovina que atingiram recordes de volume e faturamento em 2025, tendo a China como principal parceiro comercial.
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