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Teerã descarta diálogo com Washington e mantém tensão no Estreito de Ormuz

Teerã descarta diálogo com Washington e mantém tensão no Estreito de Ormuz
1 de 1 O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o líder dos Estados Unidos, Donald Trump — Foto: Reprodução: Reuters

A República Islâmica do Irã reafirmou, nesta segunda-feira (28), que não existem negociações em curso ou previstas com os Estados Unidos. A declaração, veiculada pela agência de notícias oficial iraniana Irna, surge como uma resposta direta às recentes sugestões do presidente americano, Donald Trump, de que um diálogo entre as duas nações poderia ser retomado rapidamente.

O cenário de incerteza diplomática ocorre em meio a um conflito persistente que afeta rotas estratégicas de navegação. No domingo (27), Trump havia declarado, em entrevista ao portal Axios, que mantinha expectativas de um retorno às conversas. O posicionamento americano aconteceu um dia após a Casa Branca rejeitar formalmente uma proposta apresentada por Teerã, que visava a reabertura do Estreito de Ormuz em um prazo de sete dias.

Posicionamento oficial e condições para o diálogo

A delegação iraniana, que esteve em Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), tem retorno previsto para esta terça-feira (29). Segundo fontes oficiais do regime, não há qualquer intenção de abrir mesas de negociação com a administração americana neste momento. O governo iraniano sustenta que suas posições foram transmitidas de forma clara a Washington na semana passada, por intermédio de mediadores do Catar.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reforçou por meio de redes sociais que o país ainda busca uma saída diplomática para a crise que envolve também Israel. Contudo, ele enfatizou que a reabertura do Estreito de Ormuz está condicionada ao cumprimento de exigências prévias estabelecidas por Teerã. Até o momento, o governo iraniano afirma não ter recebido uma resposta oficial dos Estados Unidos pelos canais diplomáticos habituais.

Tensões no Golfo e impacto econômico

O impasse é agravado pelo bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, que pressiona o Irã a cessar ataques contra embarcações na região. Enquanto o governo americano alega controle sobre a via navegável, o comandante-chefe do Exército iraniano, Amir Hatam, classificou o momento como uma fase crítica. Em discurso, Hatam reiterou que o país não aceitará restrições que impeçam sua capacidade comercial enquanto outras potências utilizam as rotas livremente.

Desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro, o conflito tem sido marcado por ciclos de trégua e novas ofensivas militares. A instabilidade gerou um impacto severo na economia iraniana e nas forças convencionais do país, levando Teerã a expandir a disputa para outras áreas do Oriente Médio, incluindo ataques com drones e mísseis contra aliados americanos na região do Golfo.

Expansão do conflito e instabilidade regional

A crise também atinge a Arábia Saudita, que enfrenta pressões crescentes devido ao avanço dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, no Iêmen. Relatos indicam que a ameaça às rotas de exportação de petróleo pelo Mar Vermelho tem gerado medidas de precaução em solo saudita, como a suspensão de aulas presenciais em escolas de Riade.

A situação humanitária na região permanece alarmante. O Ministério da Saúde controlado pelos houthis reportou, recentemente, um ataque na província de Taiz que resultou em sete mortes e 40 feridos. Em resposta, o governo do Iêmen, reconhecido internacionalmente, confirmou operações militares contra alvos houthis na mesma localidade, evidenciando que a instabilidade regional está longe de um desfecho.

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