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Desenrola 3.0: governo federal vai comprar dívidas de inadimplentes em leilões

Desenrola 3.0: governo federal vai comprar dívidas de inadimplentes em leilões
© Marcello Casal JrAgência Brasil

O governo federal oficializou, nesta sexta-feira (25), o lançamento da terceira fase do programa de renegociação de débitos, o Desenrola 3.0. Diferente das etapas anteriores, que dependiam de um acordo direto entre credores e devedores, a nova estratégia estabelece que a União passará a atuar como compradora de carteiras de dívidas inadimplidas por meio de leilões. O objetivo central é utilizar o poder de negociação estatal para obter descontos agressivos, que serão repassados integralmente aos cidadãos.

Mecânica dos leilões e repasse de descontos

A operação funcionará a partir de leilões organizados pelo governo, nos quais os credores oferecerão suas carteiras de dívidas com propostas de deságio. A regra estabelecida pela Medida Provisória determina que o deságio mínimo exigido seja de 90%. Isso significa que, em uma dívida original de R$ 10 mil, o valor final para o consumidor pode cair para apenas R$ 1 mil, facilitando drasticamente a quitação.

Após a aquisição pela União, o desconto obtido será transferido ao devedor. O cidadão terá a opção de liquidar o saldo à vista ou optar por um parcelamento, cujas condições específicas de juros e prazos ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Critérios de elegibilidade e público-alvo

O programa foca em dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, calculadas pelo valor original do débito. Para ser elegível, o atraso no pagamento deve estar compreendido entre 720 e 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026. O Ministério da Fazenda mantém a prerrogativa de definir critérios adicionais, como faixas de renda, para priorizar o atendimento aos grupos mais vulneráveis.

Impacto esperado e cronograma de execução

Com um custo estimado de até R$ 15 bilhões para a aquisição das carteiras, o governo projeta que cerca de 15 milhões de pessoas possam ser beneficiadas. A expectativa é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis ao processo. Vale ressaltar que o montante total de inadimplência no país, registrado em agosto de 2026, atingia a marca de R$ 592 bilhões, envolvendo 83,9 milhões de brasileiros negativados.

O cronograma de implementação já está definido. O chamamento para as propostas ocorrerá em novembro de 2026, com a entrega pelos credores em dezembro. A homologação dos resultados está prevista para janeiro de 2027, e a assinatura dos contratos, com o início efetivo do repasse dos descontos e a possibilidade de quitação pelos consumidores, está agendada para fevereiro de 2027.

Contexto da inadimplência no Brasil

O cenário que motivou a nova fase do programa é complexo. Dados do Tesouro Nacional revelam que, em média, cada pessoa negativada possui quatro dívidas, sendo que 56% desse público é composto por mulheres. Além disso, cerca de 55% do estoque total de dívidas refere-se a débitos não bancários, como contas de água, energia, telefonia e varejo, que agora ganham um canal de resolução mais robusto.

As fases anteriores do Desenrola, que focaram em negociações bilaterais, alcançaram cerca de 25 milhões de pessoas e renegociaram mais de R$ 75 bilhões em dívidas somadas. Para acompanhar os desdobramentos desta nova etapa e outras atualizações sobre a economia brasileira, continue lendo o Canal 1 de Notícias, seu portal de referência para informações precisas e contextualizadas.

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