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Violência política de gênero dispara e entidades exigem ações urgentes do Estado

Violência política de gênero dispara e entidades exigem ações urgentes do Estado
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O cenário eleitoral brasileiro tem sido marcado por uma escalada preocupante de ataques contra mulheres que ocupam ou disputam cargos públicos. Dados recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que os processos judiciais relacionados à violência política de gênero cresceram 11 vezes entre 2022 e 2024, evidenciando um desafio estrutural que ameaça a integridade do processo democrático e a participação feminina na vida pública.

A escalada de agressões e ameaças pelo país

Relatos coletados por movimentos sociais desenham um mapa de hostilidade que atravessa diferentes regiões do Brasil. Em Pernambuco, uma deputada estadual foi alvo de agressão física, sendo atingida por uma pedrada durante um ato de campanha. No Espírito Santo, a violência escalou para o uso de artefatos explosivos lançados contra a equipe de uma candidata a deputada federal.

A ofensiva também ocorre no ambiente virtual, onde candidatas em Minas Gerais enfrentam ameaças de estupro e o vazamento de dados sigilosos de familiares. No Rio de Janeiro, o tom das intimidações é ainda mais grave, com ameaças de morte que fazem alusão direta ao assassinato da ex-vereadora Marielle Franco. Diante da recorrência desses episódios, organizações da sociedade civil formalizaram um documento entregue ao TSE, cobrando medidas efetivas de proteção e punição.

Responsabilização e o papel das instituições

Especialistas apontam que a impunidade é o principal combustível para a manutenção desses ciclos de violência. Gisele Barbiere, coordenadora de Incidência Política da organização Terra de Direitos, enfatiza que a falta de respostas rápidas do Estado encoraja agressores. Segundo ela, o enfrentamento exige, além da punição dos culpados, uma articulação mais estreita com plataformas digitais e campanhas informativas que ajudem as vítimas a identificar e denunciar os abusos.

Para Larissa Amorim, do Instituto Marielle Franco, o problema transcende a esfera individual e atinge o coração da democracia. Ao ameaçar a família ou expor dados pessoais de uma gestora, o agressor tenta inviabilizar o exercício do mandato, comprometendo o princípio da representação política. O ataque à mulher, nesse contexto, torna-se um ataque ao próprio direito da sociedade de ser representada.

O recorte racial na violência política

A violência política no Brasil possui um alvo preferencial e um perfil definido. Um estudo do Instituto Marielle Franco, publicado em 2025, analisou 77 casos ocorridos entre 2021 e 2025 e constatou que 87% das vítimas eram mulheres negras. Essa disparidade revela uma face mais perversa da agressão, que frequentemente utiliza o racismo e a misoginia para desumanizar as parlamentares.

As críticas, muitas vezes, focam na aparência física e utilizam xingamentos que comparam mulheres negras a animais. Diante desse cenário, especialistas defendem a atualização da Lei 14.192/2021. A proposta é incluir explicitamente a dimensão racial na legislação, garantindo que as políticas públicas de proteção considerem a vulnerabilidade específica de mulheres negras e trans, que permanecem como o principal alvo de intimidações no país.

O Canal 1 de Notícias segue acompanhando os desdobramentos dessas denúncias e o posicionamento das autoridades eleitorais sobre o tema. Continue conosco para se manter informado sobre os principais debates que moldam a política e a sociedade brasileira com credibilidade e profundidade.

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