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Câncer Colorretal: Alerta Ignorado e a Urgência do Diagnóstico Precoce no Brasil

© Jo Panuwat D/ Adobe Stock

O câncer colorretal, segunda maior incidência de tumores no Brasil, com projeção de 53.810 novos casos anuais até 2028, representa uma grave preocupação de saúde pública. Apesar da crescente conscientização sobre seus sintomas mais evidentes, como a presença de sangue nas fezes e alterações persistentes no funcionamento intestinal, uma parcela significativa da população brasileira ainda adia a busca por assistência médica, colocando em risco a eficácia do tratamento e as chances de cura. Essa lacuna entre o reconhecimento dos sinais de alerta e a proatividade na procura por diagnóstico precoce foi o foco de um recente levantamento, que sublinha a necessidade urgente de uma mudança de comportamento.

Sinais de Alerta Ignorados: A Hesitação Brasileira na Busca por Ajuda

Uma pesquisa realizada pelo Hospital A. C. Camargo em parceria com a Nexus, que ouviu mais de duas mil pessoas, revelou um paradoxo preocupante: embora oito em cada dez entrevistados reconheçam a gravidade de sintomas como sangramento nas fezes e mudança intestinal contínua por mais de um mês, e 67% liguem esses sinais à possibilidade de câncer colorretal, quase metade deles não busca atendimento médico com a rapidez necessária. Este comportamento de adiamento é um fator crítico, visto que a identificação precoce da doença é fundamental para um prognóstico favorável.

O estudo detalhou a inação diante de um dos sintomas mais alarmantes: dos 9% que notaram sangue nas fezes, apenas 59% procuraram um médico imediatamente. Os 40% restantes adotaram posturas diversas e preocupantes: 19% simplesmente esperaram o sintoma desaparecer, 10% aguardaram dias ou semanas antes de buscar ajuda profissional, 7% recorreram a métodos alternativos como remédios caseiros ou dietas, 3% optaram por automedicação na farmácia, e 1% se limitou a pesquisar na internet antes de qualquer orientação qualificada. Tais dados reforçam a urgência de campanhas que destaquem a importância de uma resposta imediata a esses sinais.

Desconhecimento sobre Ferramentas de Prevenção e Diagnóstico

Além da demora na busca por atendimento, o levantamento expôs um preocupante desconhecimento sobre um dos principais exames preventivos: a 'Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes' (PSO). Dois terços dos entrevistados (67%) nunca ouviram falar desse procedimento, essencial para detectar indícios da doença antes mesmo do surgimento de sintomas evidentes. Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% o conhecem, mas nunca se submeteram a ele.

Este déficit de informação é ainda mais acentuado em determinados grupos demográficos: atinge 85% entre os jovens de 16 a 24 anos, 76% entre homens, 73% entre pessoas com menor renda e 72% entre aqueles com apenas ensino fundamental. A pesquisa também indicou uma baixa familiaridade com a doença em si, com 75% dos participantes afirmando nunca ter tido contato com pacientes de câncer colorretal, e apenas 21% conhecendo alguém que já enfrentou a enfermidade (15% um parente próximo e 6% um amigo ou conhecido).

A Crucialidade do Diagnóstico Precoce e da Vigilância Contínua

Diante do cenário de aumento da incidência do câncer colorretal no Brasil, que inclusive foi a causa do falecimento da cantora Preta Gil, o líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, enfatiza a imperatividade de não ignorar quaisquer sinais. Além do sangramento e alterações intestinais, dores abdominais persistentes e perda de peso sem causa aparente são sintomas que exigem investigação médica imediata.

Aguiar destaca que a realização de exames preventivos a partir dos 45 anos de idade, ou até antes, dependendo do histórico familiar e da orientação médica, é um pilar da estratégia de combate à doença. O diagnóstico precoce está diretamente correlacionado a taxas de cura significativamente mais elevadas, realçando o papel vital de procedimentos simples como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia na detecção da patologia em seus estágios iniciais, quando as intervenções são mais eficazes.

O alerta é claro: a combinação de um conhecimento limitado sobre os exames preventivos com a hesitação em buscar ajuda médica imediata para sintomas alarmantes cria um cenário perigoso para a saúde pública brasileira. É fundamental que a sociedade esteja engajada na promoção da informação e do acesso a diagnósticos precoces, transformando a conscientização sobre a gravidade da doença em ação concreta e oportuna para salvar vidas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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