A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) está em plena articulação para promover alterações significativas no projeto de lei do seguro rural, que já está em tramitação na Câmara dos Deputados. Com a meta de acelerar a votação da proposta já na próxima semana, a bancada busca reformular este instrumento de proteção para o setor agrícola, almejando transformá-lo em uma ferramenta mais robusta e estrutural, essencial para a previsibilidade e a mitigação de riscos enfrentados pelos produtores rurais brasileiros.
Agilidade na Tramitação Diante de Desafios Crescentes
O texto em análise, que já recebeu aprovação do Senado Federal, terá como relator o próprio presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR). Ele se prepara para apresentar um substitutivo à proposta original, incorporando ajustes considerados cruciais pela bancada. A urgência em consolidar o novo arcabouço do seguro rural é estratégica: a FPA visa que a aprovação ocorra antes da formulação do próximo Plano Safra, um período chave para definir as condições de crédito e os instrumentos de gerenciamento de riscos para o ciclo 2026/27. Essa iniciativa se mostra ainda mais premente em um cenário de crescentes pressões econômicas sobre o agronegócio, marcado pelo aumento dos custos de produção, volatilidade do mercado e maior exposição a riscos climáticos.
A Visão de um Seguro Estrutural para o Campo Brasileiro
A proposta da FPA é ambiciosa: fazer do seguro rural um pilar de sustentação para a atividade agrícola, distanciando-a da dependência de medidas emergenciais reativas a cada nova crise. Conforme detalha Arnaldo Jardim, vice-presidente da FPA na Câmara, a intenção é afastar o produtor da necessidade de recorrer a soluções pontuais, renegociações ou improvisos em momentos de dificuldade. Um seguro rural bem estruturado, segundo ele, proporciona previsibilidade, organiza todo o sistema produtivo e resguarda o agricultor contra eventos climáticos adversos ou flutuações inesperadas do mercado, consolidando-se como um instrumento permanente de proteção.
Principais Alterações Propostas pela Bancada Agrícola
As alterações que serão apresentadas pela Frente Parlamentar da Agropecuária visam ampliar significativamente a abrangência e a eficácia do sistema de seguro rural no país, promovendo um modelo mais inclusivo e funcional.
Inclusão de Cooperativas de Produção
Uma das modificações centrais é a expansão do alcance do seguro para contemplar cooperativas de produção. Atualmente, a versão do projeto aprovada pelo Senado Federal não as inclui, o que limita o acesso a esse instrumento fundamental para uma parcela significativa de produtores que operam sob essa modalidade.
Utilização do Seguro como Garantia de Crédito
A bancada defende a possibilidade de o produtor rural utilizar sua apólice de seguro como uma das garantias em operações de financiamento. Essa medida é concebida para mitigar riscos para as instituições financeiras e, consequentemente, facilitar e ampliar o acesso ao crédito agrícola para os agricultores, tornando as operações mais seguras para ambas as partes.
Criação de Fundo Estruturante para Financiamento
Para garantir a sustentabilidade e a previsibilidade de recursos para o sistema, será instituído um fundo específico voltado ao financiamento do seguro rural. A proposta prevê a definição de regras mais claras para seu funcionamento e uma maior garantia de recursos, afastando incertezas quanto à sua operacionalização a longo prazo.
Gestão do Fundo pelo Ministério da Fazenda
Inicialmente, a gestão do novo fundo estava prevista para o Ministério da Agricultura. Contudo, a FPA propõe que essa responsabilidade seja transferida para o Ministério da Fazenda. O argumento central para essa mudança é que o seguro rural, com sua nova configuração e impacto, transcende a esfera meramente agrícola, consolidando-se como uma política econômica estruturante para o país, que demanda uma gestão mais alinhada à macroeconomia.
Rumo à Resiliência e Estabilidade no Campo Brasileiro
A consolidação de um modelo de seguro rural mais robusto e menos dependente de intervenções improvisadas é o objetivo final da FPA. Arnaldo Jardim reitera que, com um sistema de seguro eficiente, não há necessidade de discutir soluções paliativas a cada nova crise, pois o próprio instrumento organiza o sistema. Ele ressalta ainda que o seguro deve ser uma garantia valiosa, mas não exclusiva, e que o fundo criado deve operar sob regras bem definidas e uma gestão adequada ao seu papel estratégico. A bancada parlamentar está empenhada em garantir uma votação célere, demonstrando o compromisso em fornecer uma resposta eficaz e oportuna ao setor, que atualmente enfrenta o aumento de custos, a alta de combustíveis e fertilizantes, e a crescente exposição a riscos climáticos e de mercado.
A iniciativa da Frente Parlamentar da Agropecuária representa um movimento estratégico para modernizar e fortalecer o seguro rural brasileiro. Ao propor um modelo que privilegia a previsibilidade e a estruturação em detrimento das soluções emergenciais, a FPA busca oferecer maior segurança e estabilidade aos produtores, preparando o agronegócio para enfrentar os desafios contemporâneos e garantindo a resiliência de um dos setores mais vitais da economia nacional.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br
Mais sobre este assunto
Campanha de Lula recorre ao TSE contra desinformação sobre fala de exames
Pesquisa Quaest aponta liderança de Celina Leão na disputa pelo governo do Distrito Federal
Denise Pires de Carvalho é a primeira brasileira a assumir vice-diretoria da Unesco
Homem é preso após espancar a própria mãe de 61 anos no interior de São Paulo


